Todos os Pecados São Iguais?

 

É muito comum ouvirmos a opinião de que todos os pecados são os mesmos à vista de Deus, ou que nenhum pecado é pior do que qualquer outro pecado. O raciocínio por trás disso é que uma violação da lei de Deus nos torna culpados de quebrarmos todos os mandamentos (Tiago 2:10).

Outra maneira de justificar isso é dizer que todo pecado recebe a mesma penalidade (Romanos 6:23), ou que o remédio é o mesmo, que é a cruz de Cristo.

A motivação por trás disso pode ser bem-intencionada, talvez não querendo que qualquer pecado seja visto como pequeno em si mesmo. Isso evita juízos morais indesejados, exigindo que os outros devam estar sem pecado para desestimular a hipocrisia. Talvez a ênfase esmagadora nesta igualdade em nossa cultura também direcione as pessoas para essa ideia.

Mas é certo dizer que todos os pecados são iguais?

É certamente verdade que o menor pecado é uma ofensa contra o Deus infinitamente Santo e, portanto, absolutamente maligno. Não existe pecado que não importe. Mas isso não é tudo o que pode ser dito.

A alegação de que os pecados são julgados de modo absolutamente igual por Deus não resiste ao exame das Escrituras (Tiago 3:1; Mateus 23:14; Mateus 11:24; Lucas 12:48; Marcos 9:42; 1 Coríntios 3:10-17).

O perdão também se relaciona com diferentes níveis de pecado (Lucas 7:41-42, 48).

Pensar no que o pecado merece e no que o pecado é em si mesmo arrisca ignorar o que a Bíblia diz sobre se alguns pecados são mais pecaminosos do que outros (1 João 5:16).

O próprio Cristo diz que alguns pecados são maiores do que outros (João 19:11).

Deixemos claro que as Escrituras dizem que alguns pecados são piores do que outros (Êxodo 32:30).

Algumas formas de idolatrias são ainda piores do que outras (Ezequiel 8:6,13,15; Ezequiel 23:11);

Alguns mandamentos são de maior peso do que outros (Mateus 5:19; Mateus 23:23);

Alguns pecados são piores porque envolvem o pecado intencional e desafiador (Números 15:30 e 15:22, 24, 27, 29);

Alguns pecados são piores que outros, como o pecado sexual (1 Coríntios 6:18);

Alguns pecados sexuais são piores do que outras imoralidades sexuais (1 Coríntios 5:1; Romanos 1:26-27; Levítico 20:10-16 comparado com 20:17-21).

O que torna alguns pecados piores do que outros?

Nada disso desculpa ou menospreza qualquer pecado, simplesmente nos dá a perspectiva de Deus sobre os graus dos pecados.

O Catecismo Maior de Westminster (Pergunta 150), assim como o Catecismo Menor de Westminster (Pergunta 83), deixa claro que “todas as transgressões da lei de Deus não são igualmente hediondas”.

No entanto, alguns pecados “são mais hediondos aos olhos de Deus do que outros”. Eles são mais hediondos “em si” ou por causa de certos “agravos”. Agravos são as coisas que tornam o pecado mais grave. É um termo ainda usado nos tribunais para significar um aspecto de um crime que aumenta sua culpa para além da ofensa em si.

Ataque agravado, por exemplo, é diferente da simples agressão, dependendo da intenção, da arma usada ou da extensão da lesão. Na Pergunta 151, o Catecismo Maior explica quais são essas “agravações” em relação à lei de Deus. Quando consideramos isso, vemos que o assunto todo é muito mais extenso e desafiador do que nos diz o mantra “todos os pecados são iguais”.

(a) Alguns pecados são piores, dependendo da pessoa que peca

Se somos mais velhos e “mais maduros” (Jó 32:7,9; Eclesiastes 4:13) é mais grave do que de alguém mais jovem. A sabedoria deveria ter vindo com os anos e a experiência. Isso ocorre porque tivemos mais oportunidade de aprender a vontade de Deus, experimentar Sua graça e como vencer a tentação.

Se tivermos mais experiência ou graça. Salomão tinha experimentado muito de Deus e do exemplo de seu pai, mas ele pecou contra o que ele conhecia e tinha recebido (1 Reis 11:4,9). Quanto maior o progresso que alguém fez em santidade e piedade, menos desculpas ele tem e maior será sua queda quando pecar.

Se somos “eminentes ao professar” o cristianismo. Davi fez os inimigos de Deus blasfemarem (2 Samuel 12:14) por causa da natureza proeminente do pecado e do relacionamento com Deus. A inconsistência de alguém tão comprometido em servir a Deus tornou a coisa pior do que teria sido em outros.

Se tivermos maiores dons e responsabilidades. Onde Deus nos abençoou com maior conhecimento da Bíblia e oportunidades para obter isso, somos mais responsáveis por usar esses dons para não pecar (Tiago 4:17; Lucas 12:47-48). Onde estamos em uma posição de responsabilidade para com os outros na sociedade, no trabalho, na igreja e na família, temos maior culpa no pecado porque nossas ações têm mais peso e influência (Jeremias 5:4-5; 2 Samuel 12:7-9; Ezequiel 8:11-12; Romanos 2:17-24). Padrões mais elevados são esperados de nós e mais olhos estão sobre nós.

Se o nosso exemplo é provavelmente seguido por outros. Se somos propensos a desencaminhar os outros, incorremos em culpa por isso, bem como por nossas próprias ações. Pode ter um impacto significativo em muitos outros que podem seguir nosso exemplo (Gálatas 2:11-14).

(b) O pecado será tornado pior dependendo da pessoa contra quem pecamos

Pecar contra Deus é pior do que pecar contra os outros (1 Samuel 2:25; Atos 5:4; Salmos 51: 4). Isso é por causa da infinita majestade e santidade de Deus e porque nossa maior responsabilidade é amar a Deus com todo nosso coração, alma, força e mente.

Pecar contra coisas pelas quais Deus se faz conhecido é pior. Isso pode incluir Seus atributos (Romanos 2:4) ou nome (Êxodo 20:7). Pode também incluir desprezar a adoração Dele (Malaquias 1:3-4), que serve para demonstrar a Sua glória.

Pecar contra Cristo e Sua graça é pior. Somos advertidos solenemente contra a recusa de Sua mensagem, promessas e ofertas da graça no evangelho (Hebreus 2:2-3; Hebreus 12:25).

Pecar contra o testemunho e obra do Espírito Santo é pior. Se mentirmos ou resistirmos a Ele, se O desprezarmos e blasfemarmos contra Ele, é pior (Atos 5:3-4; Hebreus 10:29; Mateus 12: 31-32; Hebreus 6:4). Se nós o entristecemos e O apagamos, é pior (Efésios 4:7; 1 Tessalonicenses 5:19).

Pecar contra os superiores é pior. Isto é porque eles têm uma autoridade dada por Deus e devem ser respeitados e obedecidos (Judas 8; Números 12:8-9; Isaías 3:5).

Pecar contra as relações é pior. Temos a família em particular ou outros laços sociais que devemos respeitar e não abusar. Temos maiores obrigações e responsabilidades para com eles (Provérbios 30:17; 2 Coríntios 12:15; Salmos 55:12-15).

Pecar contra as almas dos outros é pior, tal como quando os desencaminhamos espiritualmente, especialmente em questões de salvação (Mateus 23:15; 1 Tessalonicenses 2:15).

Pecar contra os crentes é pior por causa dos laços da graça. (Mateus 18:6; 1 Coríntios 6:8; Provérbios 6:19). Isso é especialmente verdadeiro em relação àqueles do povo do Senhor que são mais fracos (1 Coríntios 8:11-12; Romanos 14:13,15,21).

Pecar contra um corpo corporativo é pior (Josué 7:20-21, 25; 1 Reis 14:16).

(c) A natureza do pecado torna alguns pecados piores

Quanto mais clara a ordem contra a qual se pecou, maior o pecado. Quanto mais expressamente Deus ordenou ou proibiu algo, maior a culpa ao desobedecer (Romanos 1:32; Esdras 9:10-12; 1 Reis 11: 9-10).

Quanto maior o número de mandamentos contra os quais se pecou, maior é o pecado. Alguns pecados quebram mais mandamentos do que outros. A cobiça é idolatria, além de ser contra o décimo mandamento (Colossenses 3:5; 1 Timóteo 6:10). O pecado de Acã envolvia cobiça e roubo (Josué 7:21). Acabe cobiçou e tomou a terra de Nabote por perjúrio, roubo, assassinato e injustiça.

Quanto maior o impacto, maior o pecado. É uma coisa séria tropeçar e prejudicar os outros por nossos pecados (Mateus 18:7; Romanos 2:23-24).

Quanto mais abertamente cometido, maior o pecado. O pecado ainda é pecado no coração, mas quando expresso em palavras ou ações, traz maior desonra pública a Deus e dano a outros (Tiago 1:14-15; Mateus 5:22; Miquéias 2:1).

Quanto maiores as consequências, maior o pecado. Não podemos reparar nossos pecados por nossas próprias ações, como se pudéssemos expiar isso, pois isso se relaciona com a culpa diante de Deus. Mas às vezes podemos pagar algo que foi roubado ou perdido. É mais sério quando não podemos fazer nenhuma restituição.

Davi não conseguiu restaurar a vida que ele havia tirado ou o casamento que havia destruído (1 Samuel 12:9; veja também Deuteronômio 22:22 em comparação com Deuteronômio 22:28-29). Alguns danos à reputação e honra não podem ser removidos (Provérbios 6:32-35).

Quanto maiores as restrições, maior o pecado. Deus pode usar vários meios que devem nos impedir de pecar. Alguns viram os milagres de Cristo e ouviram Seus ensinamentos, mas não restringiram sua incredulidade (Mateus 11:21-24; João 15:22). O fato de terem tais privilégios aumentou a culpa deles. A bondade, misericórdia e libertação de Deus para conosco também devem nos restringir (Isaías 1:3; Deuteronômio 32:6). É algo sério desprezar Sua bondade e tolerância (Romanos 2:4). Pecar contra os julgamentos também aumenta nossa culpa (Amós 4:8-11; Jeremias 5:3; Apocalipse 9:20-21). Outras coisas que devem nos restringir são a luz da natureza e as convicções de nossa própria consciência (Daniel 5:22; Tt 3:10-11).

Certas coisas devem ser óbvias para nós, mesmo sem a revelação especial (Romanos 1:20,26-27; Romanos 2:14-16). Restrições externas incluem as advertências de outros em público ou privado (Provérbios 29:1). A disciplina oficial da igreja (Tito 3:10; Mateus 18:17) e a punição civil (Provérbios 27:22; Provérbios 23:35) devem nos restringir.

Também é grave quando pecamos contra nossas orações, propósitos, promessas, votos, pactos e compromissos para com Deus ou os outros (Salmos 78:34-37; Jeremias 2:20; Jeremias 42:5-6,20-21; Eclesiastes 5:4-6; Provérbios 20:25; Levítico 26:25; Provérbios 2:17; Ezequiel 17:18-19).

Quanto maior a vontade, maior o pecado. Se pecarmos deliberadamente, intencionalmente, presunçosamente, corajosamente, ostensivamente, maliciosamente, com frequência, obstinadamente, com prazer, continuação ou recaída depois do arrependimento (Salmos 36:4; Jeremias 6:16; Números 15:30; Êxodo 21:14; Jeremias 3:3; Provérbios 7:13; Salmos 52:1; 3 João 10; Números 14:22; Zacarias 7:11-12; Provérbios 2:14; Isaías 57:17; Jeremias 34:8-11; 2 Pedro 2:20-22).

(d) As circunstâncias tornam alguns pecados piores

Pecar no momento ou próximo à adoração a Deus ou no dia do Senhor é pior (2 Reis 5:26; Jeremias 7:10; Isaías 26:10; Ezequiel 23:37-39; Isaías 58:3-5; Números 25:6-7; 1 Coríntios 11:20-21; Jeremias 7:8-10; Provérbios 7:14-15; João 13:27,30).

Pecar depois que Deus nos castigou é pior (Esdras 9:13-14).

Pecar em público ou na presença de outros é pior. Isto é especialmente verdadeiro se eles são propensos a serem encorajados a pecar por isso (2 Samuel 16:22; 1 Samuel 2:22-24).


Second Reformation Author: Westminster Assembly

https://publicacoesopacto.com/2019/04/23/todos-os-pecados-sao-iguais/


O Milagre de Dorcas

 

Atos 9:36-42

Havia em Jope uma discípula por nome Tabita, nome este que, traduzido, quer dizer Dorcas; era ela notável pelas boas obras e esmolas que fazia.

Ora, aconteceu, naqueles dias, que ela adoeceu e veio a morrer; e, depois de a lavarem, puseram-na no cenáculo.

Como Lida era perto de Jope, ouvindo os discípulos que Pedro estava ali, enviaram-lhe dois homens que lhe pedissem: Não demores em vir ter conosco.

Pedro atendeu e foi com eles. Tendo chegado, conduziram-no para o cenáculo; e todas as viúvas o cercaram, chorando e mostrando-lhe túnicas e vestidos que Dorcas fizera enquanto estava com elas.

Mas Pedro, tendo feito sair a todos, pondo-se de joelhos, orou; e, voltando-se para o corpo, disse: Tabita, levanta-te! Ela abriu os olhos e, vendo a Pedro, sentou-se.

Ele, dando-lhe a mão, levantou-a; e, chamando os santos, especialmente as viúvas, apresentou-a viva.

Isto se tornou conhecido por toda Jope, e muitos creram no Senhor.

De Lida, Pedro apressou-se para a vizinha Jope, a pedido sincero de dois discípulos que estavam angustiados com a morte de uma discípula muito valorizada.

A cura milagrosa de Pedro de Enéias (9:32-35) em Lida levou os amigos crentes de Tabita a enviarem o apóstolo na esperança de que, sob Deus, ele pudesse ressuscitar a mulher morta antes do enterro.

O duplo nome da viúva que adoeceu e morreu, e que aparentemente chefiava uma irmandade de misericórdia, exige uma breve explicação. Tabita, seu nome aramaico, significa “gazela”, que no Oriente era um tipo favorito de beleza (Cânticos de Salomão 2:9, 17; 4:5; 7:3).

Dorcas era o equivalente grego do nome anterior. Era costume neste período que os judeus tivessem dois nomes, um hebraico e outro grego ou latino.

Como Jope era uma cidade gentia e judia, era comum as pessoas terem dois nomes. Ambos os nomes da mulher falecida também implicam alguns pontos de conexão com as seções hebraicas e helenísticas da Igreja. Sem dúvida, esta discípula era bem conhecida por ambos os nomes.

Pode-se também chamar a atenção para o fato de que ela é chamada de “discípula”, diante de uma mulher “de boas obras e esmolas”.

Sem fé em Cristo como Salvador, as melhores obras são obras mortas. Por outro lado, toda profissão de religiosidade desacompanhada de maturidade em boas obras é vã (Mateus 7:21; Tiago 2:13-17).

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. (Mateus 7:21)

Lucas, descrevendo a reputação de Dorcas, diz que ela era “ela notável pelas boas obras e esmolas que fazia”, a palavra notável descreve o pensamento de uma qualidade possuída no mais alto grau possível.

Ela se empenhou em suprir as necessidades dos pobres, que estavam continuamente diante de seus olhos. Como ela imitou o exemplo de seu Mestre que “saiu fazendo o bem” enquanto difundia a boa vontade ao seu redor!

Embora conhecida por sua piedade, diligência e abnegação, Dorcas não estava isenta de doença e morte. Ela veio a sofrer uma doença que resultou em sua morte, e com a perda dela toda a igreja em Jope lamentou.

Ouvindo falar de Pedro, que havia curado por uma palavra um homem que estava confinado à sua cama por oito anos, dois dos discípulos foram designados para se apressar a ele, a cerca de seis milhas de distância, e solicitar sua interposição imediata com Deus em nome de Dorcas.

Chegando à casa de luto, Pedro foi recebido com a dor dos amigos, expressa da maneira mais comovente. As viúvas ficaram chorando.

Pedro dispensou todos os enlutados do quarto onde jazia o corpo de Dorcas. Ele não queria ser interrompido em suas súplicas Àquele que sozinho poderia ressuscitar os mortos.

Provavelmente Pedro se lembrou da mesma ação do Mestre ao ressuscitar a filha de Jairo (Mateus 9:23-25).

Pedro não tinha poder próprio para trazer Dorcas de volta à vida. No silêncio e na solidão da comunhão com Deus, ele deve conhecer a vontade divina a respeito de Dorcas e exercer o poder da oração da fé.

Pedro “ajoelhou-se e orou”. Cristo orou, mas nunca se ajoelhou, para realizar Seus milagres mais poderosos. Embora o milagre tenha sido realizado em nome do Senhor e pela palavra do Espírito, também foi realizado em resposta à oração da fé.

Tendo orado, Pedro voltou-se para o cadáver e pronunciou a palavra de poder: “Tabita, levanta-te”. A pronúncia das palavras implicava a certeza interna de que a oração em silêncio foi respondida. Abrindo os olhos, Dorcas viu Pedro e se sentou. Então Pedro a tomou pela mão e a levantou do leito da morte, e chamando os discípulos e as viúvas ao quarto, apresentou-a viva.

Dorcas tornou-se assim uma das sete ressurreições, além da de Cristo, mencionadas na Bíblia. Tal como acontece com outros ressuscitados, Dorcas não deu nenhuma indicação de suas experiências após a morte. Podemos imaginar como ela voltou aos seus antigos hábitos de vida, com a mesma disposição de desfrutar da companhia daqueles que a amavam e de abundar em toda boa obra. Como resultado de sua restauração à vida, muitos creram no Senhor.

Aqui a palavra “crer” é usada para exaltar o Senhor Jesus como o Objeto de sua fé.

Vamos lembrar o que o Senhor nos disse até agora:

  • Ela imitava o exemplo de seu Mestre e “saía fazendo o bem”

  • Apesar disso, Dorcas não estava isenta de doença e morte.

  • Mas, o Senhor nunca esquece dos seus discípulos.

  • Mandou Pedro a Jope.

  • Pedro não tinha poder próprio para trazer Dorcas de volta à vida.

  • Mas, exerceu o poder da oração da fé.

  • O Espírito Santo estava presente agindo na oração de Pedro.

  • O mesmo Espírito fez Pedro a tomar pela mão e a levantar do leito da morte.

  • Como resultado de sua restauração à vida, muitos creram no Senhor.

  • O mesmo Espírito Santo que agiu na vida de Dorcas agirá na sua vida seja qual for o seu problema.

  • O Senhor Jesus liberta, cura e salva.


Luis André Rocha

Discípulo de Jesus

Inspirado no livro All the Miracles of the Bible de Herbert Lockyer


Simão, o Feiticeiro

 

Atos 8:9-24:

Ora, havia certo homem, chamado Simão, que ali praticava a mágica, iludindo o povo de Samaria, insinuando ser ele grande vulto; ao qual todos davam ouvidos, do menor ao maior, dizendo: Este homem é o poder de Deus, chamado o Grande Poder.

Aderiam a ele porque havia muito os iludira com mágicas.

Quando, porém, deram crédito a Filipe, que os evangelizava a respeito do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, iam sendo batizados, assim homens como mulheres.

O próprio Simão abraçou a fé; e, tendo sido batizado, acompanhava a Filipe de perto, observando extasiado os sinais e grandes milagres praticados.

Ouvindo os apóstolos, que estavam em Jerusalém, que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João; os quais, descendo para lá, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo; porquanto não havia ainda descido sobre nenhum deles, mas somente haviam sido batizados em o nome do Senhor Jesus.

Então, lhes impunham as mãos, e recebiam estes o Espírito Santo.

Vendo, porém, Simão que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido o Espírito [Santo], ofereceu-lhes dinheiro, propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo.

Pedro, porém, lhe respondeu: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus.

Não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus.

Arrepende-te, pois, da tua maldade e roga ao Senhor; talvez te seja perdoado o intento do coração; pois vejo que estás em fel de amargura e laço de iniquidade.

Respondendo, porém, Simão lhes pediu: Rogai vós por mim ao Senhor, para que nada do que dissestes sobrevenha a mim.

Embora Filipe, como Estevão, não fosse um apóstolo, ainda assim os muitos sinais de um apóstolo eram dele.

Como Filipe pregou o Evangelho e fez muitos milagres em Samaria (a mesma cidade que Jesus teve que passar para dar a salvação não solicitada por uma mulher caída e infeliz ali – (João 4), um famoso habitante da cidade parecia estar grandemente influenciado pela mensagem e ministério milagroso de Filipe.

Ele era um homem chamado Simão que, conforme a bíblia, é mágico de profissão.

Nós lemos anteriormente no versículo 11: Aderiam a ele porque havia muito os iludira com mágicas.

Na tradução da bíblia King James (BJK 1611) fica muito mais claro: E para com ele tinham consideração, porque já desde muito tempo ele os havia enfeitiçado com bruxaria.

Simão “aparece como uma espécie de classe social, muito comum na época, a dos judeus negociando o misterioso prestígio de sua raça e a credulidade dos pagãos, alegando poder sobrenatural exercido através de encantamentos”.

Credulidade é tendência a acreditar em tudo aquilo que se lê ou que se ouve; ingenuidade, simplicidade. Sejam naturais ou crença nas coisas da fé ou em coisas ocultas, sobrenaturais, etc.

Simon é referido de diferentes maneiras.

Em primeiro lugar, ele usou de bruxaria, enfeitiçando assim o povo de Samaria. A palavra “feitiçaria” implica alguém que praticava a credulidade do povo por conjuração (juramento), malabarismo e adivinhação, ou que era um lançador de sortes para fins de adivinhação.

Por causa de sua bruxaria, Simon “enfeitiçou” as pessoas, o que literalmente significa que ele as jogou em um estado de transe ou êxtase.

Fora de si, as pessoas em transe declararam que Simão era “alguém grande” e “o grande poder de Deus”, designações que ecoavam sua própria arrogância. Ele foi considerado uma personificação do poder divino, o mais alto dos poderes, e foi chamado de “o Grande”. Ele imitou o Encarnado, “o Poder de Deus” (Lucas 22:69).

O que aconteceu no passado, ocorre hoje.

Bruxaria ou feitiçaria (macumba, candomblé e várias outras práticas) é o uso do sobrenatural para manipular pessoas ou acontecimentos. Pode envolver a invocação de espíritos, consultar os mortos e lançar feitiços (ou “fazer trabalhos”). Quando uma pessoa pratica feitiçaria está se envolvendo com demônios, muitas vezes disfarçados como espíritos bons. Pode parecer inofensivo mas é muito perigoso porque é se pôr debaixo do poder do demônio. Não há demônios bons, trabalham todos para o diabo e o seu objetivo é destruir, conforme João 10:10 (O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir). Veja como fica claro em Deuteronômio 18:10-12:

Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor; e por estas abominações o Senhor, teu Deus, os lança de diante de ti.

Lucas nos diz que os samaritanos “do menor ao maior” deram atenção a esse charlatão que eles consideravam altamente. Este feiticeiro “ilustre” aparece como o tipo mais antigo daqueles que viriam com sinais e prodígios mentirosos para enganar, se possível, até mesmo os eleitos (Mateus 24:24; II Tessalonicenses 2:9).

Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. (Mateus 24:24)

Era natural para um suposto milagreiro como Simão sucumbir à influência dos milagres divinos operados por Filipe. De fato, tão grande foi o impacto da pregação e performances de Filipe sobre Simão que ele acreditou e foi batizado.

Simão se tornou um verdadeiro crente?

O fato de Pedro lhe ter dito que ainda estava “em fel de amargura e laço de iniquidade” parece implicar que Simão não estava verdadeiramente convertido.

Sua crença era apenas um trabalho de cabeça. Ele não podia negar o que via.

Ele reconhecia em Filipe um poder muito maior que o seu, poder que, tão diferente do seu, o “maravilhava”.

Depois de ter surpreendido as pessoas com seus próprios truques, agora, era ele que se “maravilhava” com os milagres e sinais de Filipe e cedeu a um feitiço mais poderoso que o seu. Assim, na presença de um poder acima do seu, Simão aceitou a mensagem de Filipe e creu.

Sua fé, porém, baseava-se em milagres externos, e a diferença entre este samaritano e os samaritanos crentes era que, para o último, os milagres só serviam para confirmar uma fé que se apoiava na “palavra profética” proferida pelo Filho do Homem. Vamos ler João 4:42:

Muitos outros creram nele, por causa da sua palavra, e diziam à mulher: Já agora não é pelo que disseste que nós cremos; mas porque nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo.

Simon estava apenas sobrecarregado por evidências que apelavam para seu intelecto.

Após o batismo, Simão acompanhou Filipe e foi considerado um novo discípulo, mas a hipocrisia de coração logo foi descoberta e se viu que, apesar de suas pretensões de conversão e graça, ele ainda estava, como sempre, em estado natural.

Assim como havia um Judas entre os apóstolos, havia um Simão, o mágico, entre os convertidos de Filipe. A exposição de Simão veio como resultado da visita de Pedro e João a Samaria. Tendo ouvido falar da grande obra de Filipe, os dois apóstolos vieram orar pelos samaritanos para que eles pudessem participar do dom do Espírito de Pentecostes e receber através da imposição de mãos os dons espirituais do Espírito. Isso aconteceu pois não havia ainda descido sobre nenhum deles, mas somente haviam sido batizados em o nome do Senhor Jesus.

A extraordinária necessidade de receber o Espírito Santo.

Jesus ascendeu aos Céus e mandou o Espírito Santo como seu substituto (Atos 1:8).

Espírito Santo é aquele que nos capacita e conduz a nossa vida cristã, conforme 1 Coríntios 12:7-10:

A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso.

Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las.

Temos que receber o Espírito Santo para ter acesso a Seus dons.

No caso de Simão, ao abraçar a mensagem cristã, cessou a prática de suas artes mágicas, no entanto, seu desejo de ganho e seu amor pelo aplauso do homem não foram totalmente mortificados.

O dom do poderoso Espírito aos samaritanos crentes abriu uma perspectiva de auto-engrandecimento para Simão, e assim ele se ofereceu para comprar de Pedro uma concessão do Espírito Santo. “Ele ofereceu dinheiro a Pedro e João.”

Pedro instantaneamente repreendeu Simão por seu pedido ousado e ímpio em linguagem de tal severidade que o levou a suplicar a Pedro que o julgamento ameaçado não caísse sobre ele por seu pecado.

Pedro podia discernir que Simão queria o dom e os dons do Espírito, não para honrar a Deus ou para beneficiar os santos, mas para o avanço de sua própria reputação e interesse.

Quando Pedro disse: O teu dinheiro seja contigo para perdição, tendo a última palavra o equivalente a “o filho da perdição” (João 17:12; Hebreus 10: 39), e que nunca será a linguagem para descrever uma pessoa verdadeiramente nascida de novo.

Não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus”. Por causa de segundas intenções, Simão não podia ter herança nos dons espirituais nem nos ofícios espirituais da Igreja. O poder ligado ao apostolado ou ao verdadeiro discipulado não era coisa de tráfico.

Pedro exortou Simão a se arrepender de sua maldade, pois as palavras severas do apóstolo foram feitas para salvar, não para matar. A porta da misericórdia foi aberta para o aventureiro, que havia negociado com a superstição crédula do povo, para que ele pudesse realmente se arrepender de seu pecado. Pedro sabia que somente Deus, e não ele, poderia absolver o pecado de Simão.

Em seu pedido de intercessão de Pedro, Simão ainda errou, pois ele procurou, não a libertação de seu atual vínculo de iniqüidade, mas apenas do vago terror da punição futura por seu pecado.

Então Simão voltou-se “não, como Pedro lhe havia ordenado, ao Senhor que estava pronto para perdoar, mas a um mediador humano.

Se Simão realmente se arrependeu e se tornou um discípulo sincero, não nos é dito. Neste ponto, ele desaparece da Bíblia. A mensagem permanece.

Aprendemos que necessitamos do Espírito Santo.

Sem Ele, estamos sujeitos as artimanhas de satanás.

Que toda a feitiçaria é do diabo.

Que sem o Espírito Santo o discípulo (salvo) poderá ser enganado por falsos profetas.

Com o Espírito Santo teremos a certeza de estarmos salvos e não somente convencidos.

Que o recebemos para glorificar ao Nosso Senhor.

Com Ele temos acesso ao evangelho completo pelo que cura, liberta e salva.

1 Coríntios 12:7-10:

A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso.

Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las.

Atos 8:15-17:

Os quais (Pedro, João e qualquer discípulo que tem o Espírito Santo), descendo para lá, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo; porquanto não havia ainda descido sobre nenhum deles, mas somente haviam sido batizados em o nome do Senhor Jesus.

Então, lhes impunham as mãos, e recebiam estes o Espírito Santo.


Luis André Rocha

Discípulo de Jesus

Inspirado no livro All the Miracles of the Bible de Herbert Lockyer


O milagre do homem coxo

 

(Atos 3:1-26)

Certo dia Pedro e João estavam subindo ao templo na hora da oração, às três horas da tarde.

Estava sendo levado para a porta do templo chamada Formosa um aleijado de nascença, que ali era colocado todos os dias para pedir esmolas aos que entravam no templo.

Vendo que Pedro e João iam entrar no pátio do templo, pediu-lhes esmola.

Pedro e João olharam bem para ele e, então, Pedro disse: “Olhe para nós! ”

O homem olhou para eles com atenção, esperando receber deles alguma coisa.

Disse Pedro: “Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isto lhe dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, ande”.

Segurando-o pela mão direita, ajudou-o a levantar-se, e imediatamente os pés e os tornozelos do homem ficaram firmes.

E de um salto pôs-se de pé e começou a andar. Depois entrou com eles no pátio do templo, andando, saltando e louvando a Deus.

Quando todo o povo o viu andando e louvando a Deus, reconheceu que era ele o mesmo homem que costumava mendigar sentado à porta do templo chamada Formosa. Todos ficaram perplexos e muito admirados com o que lhe tinha acontecido.

Apegando-se o mendigo a Pedro e João, todo o povo ficou maravilhado e correu até eles, ao lugar chamado Pórtico de Salomão.

Vendo isso, Pedro lhes disse: "Israelitas, por que isto os surpreende? Por que vocês estão olhando para nós, como se tivéssemos feito este homem andar por nosso próprio poder ou piedade?

O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus dos nossos antepassados, glorificou seu servo Jesus, a quem vocês entregaram para ser morto e negaram perante Pilatos, embora ele tivesse decidido soltá-lo.

Vocês negaram publicamente o Santo e Justo e pediram que lhes fosse libertado um assassino.

Vocês mataram o autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos. E nós somos testemunhas disso.

Pela fé no nome de Jesus, o Nome curou este homem que vocês vêem e conhecem. A fé que vem por meio dele lhe deu esta saúde perfeita, como todos podem ver.

"Agora, irmãos, eu sei que vocês agiram por ignorância, bem como os seus líderes.

Mas foi assim que Deus cumpriu o que tinha predito por todos os profetas, dizendo que o seu Cristo haveria de sofrer.

Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados, para que venham tempos de descanso da parte do Senhor, e ele mande o Cristo, o qual lhes foi designado, Jesus.

É necessário que ele permaneça no céu até que chegue o tempo em que Deus restaurará todas as coisas, como falou há muito tempo, por meio dos seus santos profetas.

Pois disse Moisés: ‘O Senhor Deus lhes levantará dentre seus irmãos um profeta como eu; ouçam-no em tudo o que ele lhes disser.

Quem não ouvir esse profeta, será eliminado do meio do seu povo’.

"De fato, todos os profetas, de Samuel em diante, um por um, falaram e predisseram estes dias.

E vocês são herdeiros dos profetas e da aliança que Deus fez com os seus antepassados. Ele disse a Abraão: ‘Por meio da sua descendência todos os povos da terra serão abençoados’.

Tendo Deus ressuscitado o seu Servo, enviou-o primeiramente a vocês, para abençoá-los, convertendo cada um de vocês das suas maldades".

À medida que chegamos a um exame dos milagres que os apóstolos realizaram, talvez este seja um ponto adequado para considerar seu ministério milagroso em geral. Seu poder, como o dos profetas, foi delegado.

Pedro, no milagre do coxo, declarou que não tinha poder próprio em contraste com seu Mestre, que nunca hesitou em agir em Seu próprio nome e receber louvor de acordo.

Se os evangelhos apresentam a vida de Jesus na carne e Atos, Sua vida no Espírito, tal vida foi transmitida a outros por meio de homens capacitados pelo Espírito.

Enquanto Jesus estava entre Seus discípulos, Ele os fez destinatários do poder de realizar milagres (Lucas 9; 10:9, 17-20; Marcos 6:13; Mateus 10:8), e Ele lhes prometeu uma continuação do poder delegado após Sua ascensão (Mateus 28:18; Marcos 16:20), cujo poder é tão manifesto em Atos (1:1; 2:43; 5:12, etc), em que sua comissão é atestada por muitos “sinais e maravilhas” (2:43; 5:12-16, etc.).

Não se deve perder de vista, no entanto, que embora os milagres autenticassem uma comissão divina (I Reis 17:24), eles não eram, em si mesmos, uma evidência do verdadeiro discipulado (Mateus 7:22, 23. Veja João 10:41).

Lucas nos dá um relato muito vívido de um milagre de um tipo muito notável, pois o homem nasceu coxo e tinha mais de 40 anos quando a cura foi efetuada (3:2; 4:22). Costumamos dizer que “não sabemos o que um dia ou uma hora pode nos trazer”, e nada estava mais longe das expectativas desse pobre aleijado ou dos amigos que o trouxeram naquela manhã para sua posição habitual no portão do Templo, do que isso um milagre aconteceria com tamanho resultado.

Talvez tudo o que o mendigo coxo esperava naquele dia fosse uma generosa resposta em esmolas dos transeuntes. A cura perfeita de sua condição, com todos os benefícios decorrentes disso para seu corpo e alma, estava longe de seus pensamentos.

Pedro e João também, ao se aproximarem do Templo, não pensaram em conceder tal benefício ao coxo até que Deus, por Seu Espírito, os inspirasse a agir e falar como agiram. Que impressão profunda produziu este primeiro milagre dos apóstolos!

A associação de Pedro e João no milagre enfatiza a amizade e companheirismo que continuam entre eles após a ascensão de seu Mestre. Nós os encontramos frequentemente mencionados juntos nos evangelhos (Lucas 5:10; 8:51; João 18:15; 20:2, etc.), e lá estão eles juntos indo ao Templo na hora da oração. “Abençoado seja o laço que os une. ”

“A Porta Formosa”, onde o aleijado geralmente era visto, era a porta externa do Templo de Herodes. Era feito de bronze coríntio e superava em custo os outros nove do pátio externo que eram cobertos de ouro e prata. Este portão externo era tão pesado que vinte homens foram necessários para fechá-lo. Josefo (historiador judaico-romano) nos diz que esse portão maciço foi encontrado inesperadamente aberto pouco antes da destruição de Jerusalém sob Tito. Os acessos ao Templo eram comumente apinhados de sofredores de todos os tipos (João 9:1 e 8).

Assim, quando Pedro e João chegaram ao portão, viram o aleijado e “olharam bem para ele” ou podemos dizer: “fixaram” os olhos nele. Esta mesma palavra característica é usada em outros lugares (1:10; Lucas 4:20), e é uma palavra que indica o olhar que lê o caráter na expressão do rosto do aleijado, e discerne a fé para ser curado (Atos 3:16).

O aleijado, por sua vez, “olhava para eles para que pudesse ler em seus olhares compassivos, não apenas o desejo de curar, mas a consciência do poder de realizar à vontade”.

Em primeiro lugar, pensemos na condição do homemcoxo de nascença.

A claudicação era uma desqualificação para o sacerdócio (Levítico 21:18-21).

Cristo curou muitos coxos (Mateus 21:14; 1 Pedro 2:9,10), e aqui está outro homem nascido coxo e com sua aflição por 40 anos, que deveria receber dos apóstolos algo maior do que esmolas, que eles não possuíam para dar ao mendigo necessitado porquê de sua pobreza aceita. “Não tenho prata nem ouro” (ver Mateus 10:9).

Ao falar com o homem, Pedro revelou o significado essencial do cristianismo. Ele não era capaz de ministrar ao homem em coisas materiais no que dizia respeito à prata e ao ouro. Ele foi, no entanto, capaz de comunicar-lhe algo que o tornaria liberto de sua deficiência.

Quanto à cura do homem, foi espontânea, repentina e completa. Em um momento, ele saltou, ficou de pé e caminhou, e por tal mudança mostrou a obras maravilhosas de Deus (3:8, 9).

Esse milagre não ilustra as “respostas abertas à oração” de Deus? Em vez de moedas, o aleijado recebeu uma cura. Deus lhe deu mais do que ele poderia ter pedido ou pensado.

Misericórdia, que ele não pensava em buscar, foi-lhe conferida sem ser solicitada. Nenhum meio natural poderia ter efetuado sua cura tão instantaneamente e, embora ele fosse aleijado por 40 anos, a cura não deixou para trás nenhuma fraqueza ou rigidez nos membros. Imediatamente ele se mostrou tão forte e vigoroso como se nunca tivesse sido aleijado – é assim que Deus cura.

O que aconteceu exatamente quando Pedro, depois de olhar fixamente para o aleijado, pegou-o pela mão direita e o levantou com firmeza? Primeiro, os ossos do tornozelo receberam força. Então o homem curado começou a andar, testando seu poder recém-adquirido.

Aqui, então, estão os passos progressivos da recuperação – saltou, levantou-se e caminhou.

O Senhor salva, cura e liberta.

Salva = saltar; cura = levantar e liberta = caminhar.

Aleluia!

Em primeiro lugar, temos a pobreza do homem, depois o poder, depois o louvor.

Pulando como um cervo (Isaías 35:6), o homem curado, cheio de alegria exuberante por sua nova consciência de poder, entrou no pátio do Templo, onde os adoradores do sacrifício da tarde ficaram maravilhados ao ver o conhecido mendigo aleijado andando tão vigorosamente.

Foram-se para sempre todas as muletas que ele usou.

É um fato notável que repetidas vezes Pedro enfatizou que a cura não havia sido efetuada por nenhum poder que ele tinha, mas apenas pelo poder de Jesus Cristo (3:6, 12, 16; 4:9-12. Veja 9:34).).

“Em nome de Jesus de Nazaré, levante-se e ande”.

Deve ter sido um teste de fé por parte do coxo se levantar e andar em nome do desprezado Nazareno, mas como o nome representava tudo o que Jesus era e é, em Si mesmo, o poder acompanhou Sua pessoa.

Para o próprio Pedro esse milagre foi uma continuação do exercício de poderes semelhantes (Marcos 6:7 e 13; 16:18).

Em todos os Atos, muito é dito sobre o nome. A fé neste nome, acima de todo nome, foi a avenida pela qual Deus operou muitas maravilhas.

Que o inigualável e precioso nome de Jesus não perdeu nada de seu poder por Sua ausência visível da terra é comprovado pelo milagre diante de nós.

Humildemente, Pedro rejeitou seu próprio poder de atuar. Ele apontou para Cristo como a Fonte de todo poder. Nenhuma glória deve acumular-se ao homem pelas obras divinas.

Nenhuma glória foi devida ao homem que foi curado, pois sua fé não foi posta em jogo. (3:13). Quanto ao efeito desse milagre divino, as pessoas que viram o homem no portão enquanto ele implorava ali ao longo dos anos estavam cheias de admiração.

Então o milagre deu a Pedro e João uma grande oportunidade de pregar um poderoso sermão diante do Sinédrio, como descrevem os capítulos 3 e 4.

Abriu-se o caminho para o testemunho fiel aos governantes judeus, cujo ódio por Cristo e Seus discípulos foi apenas enraivecido e resultou em uma perseguição que irrompeu como uma nuvem sobre os discípulos.

Que mudança este evento revela em Pedro! Não muito tempo antes ele estava com medo da provocação de uma criada. Agora ele corajosamente confrontou todo o Sinédrio e acusou todos eles do assassinato de seu Messias.

Mais tarde, Pedro poderia escrever sobre dar uma razão da esperança dentro de nós com mansidão e temor (1 Pedro 3:15). Aqui, ele não tinha medo indigno. Ele não tinha medo de reivindicar a causa de seu Mestre. Não é à toa que as pessoas se maravilharam quando viram a ousadia de Pedro – eles se lembraram de sua negação.

Quanto à lição do milagre: A Porta Formosa do Templo e todo o seu ritual não podiam fazer bem ao coxo, mas o nome de Cristo deu-lhe força e alegria instantâneas. Aquele pobre aleijado exibia uma visão justa de todo homem nascido no mundo.

Diz Charles Simeon (evangelista século 18): “Ele desde o útero era incapaz daqueles esforços para os quais os membros foram originalmente projetados. E assim é com os homens caídos, em referência aos poderes de sua alma. Ele não pode andar diante de Deus como Adão andou no Paraíso, nem como os santos e servos de Deus andam mesmo em seu estado caído.

Mas, em nome de Jesus Cristo, quem há que não possa ser curado? Quem há, por mais deplorável que seja seu estado, que o poder da graça divina não possa renovar, de modo a torná-lo uma nova criatura? ”

Multidões de aleijados, aleijados na moral, na força de vontade, nas energias da alma; aleijados pelo pecado dos outros e pelos seus próprios, cercam nossas igrejas, cujas portas estão abertas. Infelizmente! No entanto, tão poucos desses aleijados são curados.

A grande massa de homens e mulheres impotentes continua impotente.

Por quê? A Igreja tem seus pregadores e sacerdotes educados e cultos, suas rubricas e rituais, seus edifícios ornamentados e múltiplas atividades, seu prestígio e riqueza; mas ela está tristemente destituída de poder para dizer a um mundo aleijado pelo pecado: “Em nome de Jesus de Nazaré, levanta e anda”.

Chegou a hora de levantar e andar em nome de Jesus.

Aprendemos, a pouco, que no passado, ser coxo era uma desqualificação para o sacerdócio (Levítico 21:18-21).

Mas, Cristo curou muitos coxos (Mateus 21:14).

Curou naquele tempo e o faz agora, nesse momento.

Seja você um aleijado da alma que não consegue por suas forças se levantar, correntes que o impede de ser feliz ou necessitando de cura para seu corpo.

Pois o Espírito Santo está dizendo: Levanta e anda em nome de Jesus Cristo.

 

Luis André Rocha

Discípulo de Jesus

Inspirado no livro All the Miracles of the Bible de Herbert Lockyer


As orações de Ana

 

Nos dois livros de Samuel tem várias páginas da história bíblica da oração. Orações marcantes gravadas para a nossa edificação. Este primeiro livro começa com a oração sem voz de Ana (01:13).

A oração sem palavras:

Após terem comido e bebido em Siló, estando Eli, o sacerdote, assentado numa cadeira, junto a um pilar do templo do Senhor, levantou-se Ana, e, com amargura de alma, orou ao Senhor , e chorou abundantemente.

E fez um voto, dizendo: Senhor dos Exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao Senhor o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha.

Demorando-se ela no orar perante o Senhor, passou Eli a observar-lhe o movimento dos lábios, porquanto Ana só no coração falava; seus lábios se moviam, porém não se lhe ouvia voz nenhuma; por isso, Eli a teve por embriagada. (1 Samuel 1:9-13)

Enquanto milhares de mulheres oraram antes de Ana, a dela é o primeiro registro na bíblia de uma mulher em oração. Há relativamente poucas ilustrações de mulheres orando, porque as mulheres aparecem na Bíblia, como em toda a literatura antiga, com menos frequência do que os homens. Se tivéssemos a história de mulheres de oração como Ana, veríamos que, certamente, o mundo deve mais às orações de mulheres do que ele imagina. Se é verdade que “há mais filhas do que filhos de Sião, que passam mais tempo em oração do que os homens, cujas súplicas são mais fervorosos, cuja fé é mais confidência, e cujo amor é mais puro e constante,” Quão gratos devemos ser para essas mães em Israel.

A oração de Ana em Siló indica que nos primeiros tempos as mulheres tinham o direito de Orar no santuário. Nesta história de rara delicadeza e força o uso tríplice da frase, “a tua serva,” é um reconhecimento da indignidade das bênçãos divinas. Como outros que buscaram auxílio divino, Ana apoiou sua oração de uma criança por um voto.

Da sua oração sentida no coração, lemos: “seus lábios se moviam, porém não se lhe ouvia voz nenhuma.” As palavras não são essenciais para a oferta de verdadeira oração, ainda que muitas vezes ajudam na expressão de nossos pensamentos e desejos. Às vezes, porém, o coração está cheio demais para exprimir, ou a presença de outras pessoas, como no caso de Ana, fazer oração articulada (Neemias 2: 4).

A oração é o desejo sincero da alma se é pronunciado ou não expressa. A oração de Ana é o primeiro exemplo na Bíblia de oração silenciosa ou mental. A dela era um gemido que não poderia ser pronunciada.

Ana era uma mulher, mas não uma mãe. Em algum canto privado ela foi e derramou o desejo de seu coração a Deus. A sua oração, puramente pessoal, realizada em si a emoção de auto-sacrifício. Confiante de que sua oração tinha sido ouvida, ela “comeu e o seu semblante já não era triste” (1Samuel 1:18). Ela suplicou seu caso a Deus e seu grito foi graciosamente respondido. Sua reprovação foi tirada. Deus lhe deu Samuel.

A oração e o voto de Ana nos ensina estas cinco lições:

1. O verdadeiro recurso para ajudar, na hora da necessidade, é o trono da graça.

2. Quanto mais profundo o nosso problema, mais fervorosamente devemos orar.

3. É justo dar voto ao Senhor lhe consagrando a bênção quando procuramos a Sua glória.

4. Os pais devem lembrar que os filhos são um dom de Deus, e deve prepará-los para Seu serviço e glória.

5. Nunca devemos esquecer os nossos votos, mas tenha cuidado para realizá-los.

6. Quando Deus nos responde favoravelmente, devemos estar atentos para louvá-Lo.

A oração Profética:

Então, orou Ana e disse: O meu coração se regozija no Senhor, a minha força está exaltada no Senhor; a minha boca se ri dos meus inimigos, porquanto me alegro na tua salvação.

Não há santo como o Senhor; porque não há outro além de ti; e Rocha não há, nenhuma, como o nosso Deus.

Não multipliqueis palavras de orgulho, nem saiam coisas arrogantes da vossa boca; porque o Senhor é o Deus da sabedoria e pesa todos os feitos na balança.

O arco dos fortes é quebrado, porém os débeis, cingidos de força.

Os que antes eram fartos hoje se alugam por pão, mas os que andavam famintos não sofrem mais fome; até a estéril tem sete filhos, e a que tinha muitos filhos perde o vigor.

O Senhor é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir.

O Senhor empobrece e enriquece; abaixa e também exalta.

Levanta o pobre do pó e, desde o monturo, exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do Senhor são as colunas da terra, e assentou sobre elas o mundo.

Ele guarda os pés dos seus santos, porém os perversos emudecem nas trevas da morte; porque o homem não prevalece pela força.

Os que contendem com o Senhor são quebrantados; dos céus troveja contra eles. O Senhor julga as extremidades da terra, dá força ao seu rei e exalta o poder do seu ungido. (1 Samuel 2:1-10)

Orações de agradecimento foram, sem dúvida, habitualmente oferecido para o nascimento de uma criança, bem como para a recuperação de doenças (Isaías 38:9-20).

Ana ora novamente, mas fica em silêncio por mais tempo. Seus lábios estão agora vocal com elogios sobre o presente. O filho que ela tinha orado e que, agora, havia emprestado ao Senhor (1:27,28). Samuel chegou a ela vindo de Deus, e ela reconheceu o direito de do Senhor a seu menino e solenemente dedicada a Ele: “Pelo que também o trago como devolvido ao Senhor, por todos os dias que viver” (1 Samuel 1:28).

Mas enquanto sua oração-canção continha uma confissão de fé, foi também profética. Por sua mente subiram, além de sua própria alegria pessoal, a voz para questões maiores. A profecia do Cristo ela se inspirou para proferir (1 Samuel 2:10; Salmo 2:1-9).


Capítulo do livro Todas as orações da Bíblia por Herbert Lockyer