DEUS (capítulo do livro
Relacionamentos).
“Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.” (Jeremias 33:3)
Alguns filmes, por motivos diversos, ficaram marcados em minha vida. Um deles foi o Náufrago. Você se lembra dele? O sujeito acabou isolado em uma ilha deserta.
Todas as pessoas que o conheciam acreditaram que ele estava morto. Ele realmente ficara só. Não sei o tem de especial nesse filme, mas gosto muito. Há temas neste filme que me atraem. Um deles é a importância dos relacionamentos em nossas vidas.
Você se lembra dos dois relacionamentos que eram centrais na vida do personagem principal (Chuck Noland)? O primeiro foi Wilson. Uma bola manchada de sangue que se tornou seu melhor e único amigo na ilha. O outro relacionamento era com sua noiva. Além de estarem distantes milhares de quilômetros, ela acreditava que ele havia morrido. Nele, havia uma esperança, um sonho de se unir a ela novamente. Isso o mantinha vivo. Chuck sobreviveu em uma ilha deserta porque seu relacionamento com a bola o sustentava e seu relacionamento com sua noiva mantinha uma esperança viva. Nossos relacionamentos definem amplamente nossas vidas. Como exemplo, nos dias de hoje, as formas de relacionamento mais conhecidas e populares são chamadas de rede de contato ou networking. Uma espécie de parceria onde as pessoas fazem parte de um círculo de contatos para trocar informações, aprendizado e se ajudar mutuamente. A maioria desses relacionamentos são distantes e com pouca interação. As redes sociais são a maneira moderna de se relacionar. O mundo virtual facilita os contatos, mas nos isola do mundo real. Virtual ou real, todas as formas de nos relacionarmos formam o que somos e como pensamos.
Há uma variedade de relacionamentos que compõem nossas vidas. Alguns desses relacionamentos parecem mais importantes que outros. Mas, todos os nossos relacionamentos são importantes com base no que Deus diz.
Nosso relacionamento com o vizinho pode não parecer tão significativo quanto o relacionamento com a família. Só que, quando você lê sua Bíblia, descobre que Deus pensa que ele também é muito importante. E se Deus diz que os dois são igualmente importantes, é melhor você torná-los importantes para você.
Nesse livro, falaremos de alguns relacionamentos que são inseparáveis da nossa vida:
▪ Deus – abordaremos durante esse capítulo. E, é óbvio que é indivisível da
nossa vida.
▪ Família – Os comportamentos dos membros da família diferentes do que pensamos para nossa vida. Crises de convivência constantes. Porém, mesmo nesses casos, vamos descobrir que podemos honrar a Deus em nossos “confusos” relacionamentos familiares.
▪ Igreja – Como devemos nos considerar irmãos e irmãs em Cristo. Quero dizer, não só de boca, mas de ações concretas. É possível?
▪ Amigos – Há amizades que são muito próximas e que podemos confiar.
Esses tipos de amigos são aqueles que fariam qualquer coisa por você, incluindo dizer a verdade quando você talvez não queira ouvi-la.
▪ Vizinhos – Como devem ser nossos relacionamentos de vizinhança? A Bíblia tem uma boa quantidade de informações sobre isso.
▪ Inimigos – Temos inimigos na vida (lamento dizer). Vamos ver o que Deus diz para você se relacionar bem com seus inimigos.
O objetivo do livro é aprender a verdade da Palavra de Deus sobre esses relacionamentos para melhor engrandecer ao Senhor.
É natural e correto começar com o nosso relacionamento com Deus por várias razões. Certamente, é o nosso relacionamento mais importante. Você concorda?
Se discorda, sugiro que continue a leitura mesmo assim. Tenho certo que logo mudará de ideia.
Na verdade, você tem um relacionamento com todos que acabei de listar e muito mais. A questão não é se você tem um relacionamento com sua família, igreja, amigos, inimigos, quem quer que seja. A pergunta é “que tipo de relacionamento você tem?” E com Deus? Você tem um relacionamento com Ele? É de paz ou guerra? Você é filho dele ou inimigo dele? Você tem um relacionamento com sua família. É forte ou está distante? Você é uma presença prestativa e amorosa com seus vizinhos ou é cruel, distante e evitável? Estamos conectados a uma rede de relacionamentos. Nos cabe determinar como viveremos nesses relacionamentos.
Deus não é apenas um relacionamento entre os muitos que temos. Ele é o relacionamento central de nossas vidas. Parte da razão disso é porque ele define para nós como devemos nos relacionar em todos os outros relacionamentos que temos. Deus nos diz como devemos nos relacionar com a família, vizinhos, colegas de trabalho, cônjuges, igreja. Não recebo ordens de meus vizinhos sobre como me relacionar com minha igreja ou família. Minha família também não me diz qual deve ser meu relacionamento com meus inimigos (porém, eles sempre dão alguns palpites).
Deus me diz como deve ser cada relacionamento que eu tenho. Isso faz dele, sem dúvida, o relacionamento mais importante de todos. Por isso, existem muitas maneiras de se relacionar com Deus. Por exemplo, Deus é nosso Criador. Isso significa que ele nos criou e tudo ao nosso redor. Deus sendo o Criador nos torna responsáveis, através dele, de como interagimos e nos relacionamos com o resto de sua criação. Como responsáveis, devemos ouvir a voz do Senhor. Entender que tudo está sob seu controle.
“Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei.” (Jeremias 29:11,12)
Deus também é um pai. Repetidamente na bíblia isso está ligado ao seu grande amor por você. Deus é um Pai amoroso que alguns nunca tiveram. Ou, mesmo você tendo um pai amoroso, Ele é muito mais. Sendo nosso Pai amoroso, ele constantemente trabalha e age ao nosso bem.
Ele é um rei. Não, ele é o rei dos reis - Senhor do universo. Você não se relaciona com um rei como se relaciona com um entregador de pizza. Sendo seu rei, você lhe prestará homenagem e respeito, certificando-se de lhe dar toda a honra e louvor.
Ao interagir e se relacionar com Deus, certifique-se de observar a riqueza de formas de relacionamento que devemos ter com Ele. Um dos principais objetivos das escrituras é revelar-nos como é Deus, para que possamos nos relacionar com ele. O livro de Romanos descreve Deus de uma maneira particular:
“tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3:26)
Na passagem que lemos, Paulo eleva bem alto a incrível graça de Deus encontrada em Jesus. Nos capítulos 1, 2 e 3, ele detalhou nossa grande necessidade de um Salvador. Nos deu um relato detalhado de quão longe estamos do padrão de Deus.
Então, Deus envia Jesus para morrer em uma cruz para anular nossos pecados.
Antes de Jesus morrer uma morte cruel na cruz pelos nossos pecados, de acordo com o plano de Deus, Deus arriscou (se você quiser pensar assim) ser mal visto – arriscou ter uma má reputação. Como assim?
Analisando sem conhecer ao Senhor, podemos pensar que, por não punir o pecado quando ele foi cometido, faz parecer que Deus não agia com justiça. Como se Deus não se importasse que coisas más estivessem sendo feitas.
Durante todo o tempo, Deus continua dizendo a todos nós que ele é justo. Mas se é assim, por que ele tolera todo esse mal? Por que parece que ele faz vista grossa para toda a injustiça no mundo? Os poderosos tiram vantagem dos fracos. Os ricos roubam dos pobres. Vizinho machuca o vizinho e, Deus, você apenas vê tudo isso acontecer. Você ignora todas essas coisas ruins acontecendo? Eu pensei que você era justo, que era 100% justiça.
Para contrapor a esses questionamentos, Paulo nos ensina em Romanos 3, Deus apresentou Jesus como sacrifício. Deus não ignora os pecados. Ele está prestando atenção. Ele se dirige ao mal pelo que é e trabalha para destruí-lo e puni-lo.
Veja, olhe para Jesus naquela cruz. Olhe para o sangue que derramou de suas mãos e pés. Veja quanto Deus odeia o mal no mundo e como ele não o tolerará em sua criação. Ele apresentou seu próprio filho como sacrifício expiatório pelos pecados. Ele foi paciente todos esses anos. Ele estava disposto a suportar o mal, ele estava disposto a arriscar ter uma má reputação, esperar o momento perfeito para fazer o que precisava ser feito. Paulo está dizendo: “Deus fez o que fez,
apresentando Jesus como sacrifício expiatório pelos pecados, quando mostrou que ele é o justo e o justificador de quem tem fé em Jesus”. A bíblia nos revela o quanto foi caro:
“Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos”. (Isaías 53:5,6)
“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (2 Coríntios 5:21)
O que significa para Deus ser justo e justificador? Deus mostrando-se justo significa que ele faz o que é certo com os pecados. Ele julga pecados. Ele pune o mal. Ele trabalha contra o mal e a maldade neste mundo. Basta olhar para a cruz. Veja o castigo que Jesus sofreu. Veja a ira de Deus em exibição contra os pecados do mundo. Uma olhada em Jesus e seu doloroso sacrifício prova que Deus nunca fecha os olhos ao mal.
Ele é justo. Mas, Ele é mais do que isso. Ele, também, é o justificador de quem crê no sacrifício de Jesus na cruz. O que isso significa? O justificador é quem perdoa.
O justificador é quem dá misericórdia. O justificador é quem se manifesta a pessoa culpada, quem comete o mal, e diz: “Você merece minha ira e raiva, mas eu vou lhe dar graça e perdão”.
E eis o que Paulo está dizendo: "porque Deus colocou Jesus à frente para morrer na cruz pelos pecados, ele é os dois, o justo e o justificador, ao mesmo tempo." É importante mantermos essas duas qualidades ou aspectos do caráter de Deus em conjunto. Não queremos ignorar um porque favorecemos o outro.
Assim, por exemplo, queremos lembrar que Deus é exatamente como nos relacionamos com ele. A Bíblia nos faz entender que isso deve produzir um temor saudável de Deus em nossas vidas. O temor a Deus age como uma motivação adequada para nós. Nunca nos relacionaremos bem com Deus se esquecermos que ele é justo, se não o tememos. Teremos mais chances de evitar ações prejudiciais e egoístas quando tememos a Deus. Temer a Deus nos ajudará a manter nossas prioridades em ordem. Temer a Deus nos ajuda a permanecer
motivados em nossa busca pela maturidade cristã. Cuidaremos da responsabilidade quando nos lembrarmos e nos relacionarmos com um Deus justo.
Também precisamos lembrar que Deus é misericordioso, que é ele quem nos justifica ou perdoa por causa de Jesus. Você sabe por que isso é importante?
Porque se esquecermos que Deus é o justificador daqueles que creem em Jesus, sempre fugiremos dele por medo, e não em direção a Ele quando precisamos de ajuda. Vamos pensar que Ele está bravo conosco quando, na verdade, é compassivo conosco em nossas fraquezas. Deus é misericordioso com seus filhos.
Deus não está olhando para nos machucar, mesmo que sejamos pecadores; ele está olhando para nos mostrar misericórdia.
Jesus morreu na cruz para provar e me convencer de que Deus não está zangado comigo; em vez disso, ele me ama.
Como posso, então, ter um relacionamento amplo, sincero e, realmente, amoroso com Deus? Sei que temer ao meu Senhor e compreender a amplitude de sua misericórdia me faz próximo Ele. Quero ter um relacionamento mais profundo ainda. Um relacionamento que será o alicerce de todos os outros. Na carta aos Gálatas, há uma “dica” sobre o assunto:
“Estou crucificado com Cristo. Não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim”. (Gálatas 2:19-20)
O apóstolo está falando da vida de Cristo em nós, depois de termos sido, pela fé, crucificados com Ele. O homem que está crucificado com Jesus Cristo; o mundo foi crucificado para ele, e ele para o mundo. Crucificado, então morto; crucificado, então a velha vida é eliminada.
“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (2 Coríntios 5:17)
A partir de agora, deve ser uma nova vida. O homem deve nascer de novo, ou não é um filho de Deus.
“A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (João 3:3)
Nascer de novo, ser nova criatura.
O nascido de novo tem a vida de Cristo, está em sintonia com os ensinamentos de Cristo, através do poder do Espírito Santo. O que nasceu de novo, recebe uma nova vida, com uma nova forma de entendimento.
João Batista nos alerta sobre como ter um novo entendimento:
“Convém que Ele cresça e que eu diminua” (João 3:30)
O ensino de Deus é que Cristo cresça e que o nosso “eu” diminua. Formar Cristo em nós. Esse é o propósito de Deus. No livro de Mateus, há o relato do Pai se manifestando em relação ao Seu Filho da seguinte forma:
“E eis uma voz do céu, que dizia: Este é o meu Filho amado, em que me comprazo”. (Mateus 3:17)
Ele quer nos dizer: “Vejam, este é Aquele que satisfaz o Meu coração”.
Só que, para que Cristo seja formado em nós, precisamos conhecê-lo. Então, devemos confessar que ainda O conhecemos tão pouco e precisamos entrar em uma relação de intimidade com a Sua Pessoa. Quem Ele é, como é o Seu caráter, Sua fala, Sua mente?
Deus deseja o que tem de mais precioso para nós, que é formar a vida do Seu Filho em cada um de nós. Para que essa vida cresça, precisamos das Escrituras, precisamos estudá-las, meditar nelas, memorizá-las. Se formos às Escrituras, o Senhor Jesus aparecerá, Ele vai se revelar. A vida que está dentro de nós se manifesta por meio da Palavra de Deus. Palavra é o meio que o Espírito Santo tem para revelar a Cristo.
Se quisermos conhecer o Senhor, se quisermos nos aprofundar no conhecimento da Sua Pessoa, se quisermos cooperar com a obra do Espírito Santo para que Cristo seja formado em nós, a Palavra de Deus deve habitar em nós. Conhecer a Sua Pessoa, conhecer quem Ele é, conhecer Sua voz, seu comportamento, a maneira com que Ele Se relaciona com os outros, as atitudes que Ele tem diante das situações.
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” (Mateus 11: 28-30)
Venha a mim. Aprenda de mim. Eu vos aliviarei.
Aprender e viver a vontade do Senhor Jesus. Formar Cristo em nós é o que alegra o coração do Pai. Assim, temos a forma correta de nos relacionarmos com esse Deus bondoso, misericordioso e gracioso que está esperando por você.
Assim como o náufrago, quem não entregou sua vida ao Senhor Jesus está perdido. Isolado mesmo estando entre muitas pessoas. Deus é o único relacionamento profundo, sincero e verdadeiro que realmente teremos em nossa vida. Ele está sempre presente mesmo nos nossos piores momentos. A morte de Cristo na cruz nos mostra o quanto Deus nos ama.
“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)
Sua morte e ressurreição tornaram possível que sejamos perdoados e que tenhamos um relacionamento correto com Deus. Esse relacionamento correto será nossa base de alegria e paz em todos os outros relacionamentos.
Luis André Rocha (discípulo de Jesus)
* O que você leu é um capítulo do livro RELACIONAMENTOS que poderá ser encontrado na Amazon: https://amz.onl/2ZFXsnm
