FAMÍLIA (capítulo do livro
Relacionamentos).
“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem. Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta.” (Salmos 127)
As famílias não são complicadas? Quero dizer, nossas famílias são as pessoas que num momento estamos rindo juntos e em outro brigando como se estivéssemos em uma guerra. Estou certo? Muitas vezes fazemos de tudo para realizar uma reunião de família, mas quando chegamos lá, nos perguntamos: "o que estou fazendo aqui?" E quando termina, no caminho para casa, pensamos: "Mal posso esperar pelo próximo encontro".
Por essas e outras, a família pode ser e é, para muitos de nós, uma grande fonte de orgulho e alegria – apesar das rusgas eventuais. Dizer que a gente adora passar muito tempo com nossa família chega a ser um eufemismo. Regularmente, você preenche sua página do Facebook com fotos e vídeos de seus filhos jogando bola ou nadando. Não é assim? E todos nós entendemos isso, eu acho.
Deus quer que nossa família seja uma bênção para nós. Mas temos uma maneira de transformar presentes em ícones. E um dos nossos ídolos favoritos é a família.
Um ídolo é qualquer coisa, até coisas boas, como família, que transformamos em algo superior. Existe um tipo de devoção à família que é inapropriada e perigosa para nossas almas (até para nossa família). Existe um tipo de adoração, que se deve dar apenas ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que podemos estar tão facilmente e rapidamente dando a nossa família.
Quando dizemos, com regularidade, “não” ao dar, não ao servir, não ao culto corporativo, não ao sacrifício pelo reino de Deus porque isso interrompe nosso tempo e atividades com a família, algo está desequilibrado. Algo está confuso com nossas afeições. Há um perigoso desequilíbrio. Falaremos mais sobre o equilíbrio que precisamos encontrar mais tarde (e é realmente difícil encontrar esse equilíbrio), mas não podemos ser cegos à tentação de nos curvarmos no altar da família. O Senhor Jesus nos alertou sobre idolatrar a família:
“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim” (Mateus 10:37)
Há, também, no extremo oposto o renegar a família. Agora, se você não entende por que os membros da família se separaram, não está pensando o suficiente ou foi protegido pelo lado feio da manipulação familiar. Muitas vezes, os membros da família conhecem detalhes bastante íntimos sobre nossas vidas. Eles conhecem nossas fraquezas, falhas e inseguranças. E isso torna a família incrivelmente perigosa. Então, se eles quiserem, nossos familiares, podem realmente nos machucar gravemente. E, infelizmente, alguns fazem. Alguns de vocês foram vítimas de tratamento severo por membros da família. E, às vezes, é necessário afastar-se das relações familiares porque são muito tóxicas e prejudiciais.
Portanto, não pense que, criar limites com sua família sempre será algo ruim a se fazer. As vezes deve ser feito. Mesmo precisando criar limites no relacionamento familiar, não devemos nos tornar amargos. Não devemos deixar de nos importar com eles. Isso nos deixa distante do propósito de Deus para nossas vidas.
Nossos familiares em alguns momentos são uma alegria e em outros uma dor de cabeça. Independente de uma ou outra, as escrituras nos mostram que temos responsabilidades para com eles.
“Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente.” (1 Timóteo 5: 1-8)
Devemos demonstrar amor, cuidado e responsabilidade em nossa casa, conforme Cristo tem por nós. Você não pode ser um seguidor de Jesus em público sem primeiro ser um seguidor de Jesus em casa. Quero dizer, você pode, mas isso é uma revelação de hipocrisia.
Deus quer que primeiro pratiquemos nossa fé no contexto de nossas famílias antes de fazê-lo em outros relacionamentos ou esferas de nossa vida. Você, por exemplo, tem paciência para com seus colegas de trabalho e não para os seus filhos? Você fala palavras gentis e atenciosas com as pessoas da igreja, mas em casa critica constantemente seu cônjuge? Se você fizer isso, está distante dos princípios ensinados na Palavra de Deus. Veja o que fala na bíblia, por exemplo, do relacionamento conjugal:
“Não obstante, vós, cada um de per si também ame a própria esposa como a si mesmo, e a esposa respeite ao marido.” (Efésios 5:33)
Em primeiro lugar, os de nossa casa devem ver Cristo em nós. O amor que Ele tem por todos aqueles que são seus. Como você demonstra esse amor? Mostrar amor, por exemplo, é manter o autocontrole quando as crianças estão ficando muito agitadas. Entender as fraquezas do seu cônjuge sendo colaborativo e edificador para ele. Honrar aos seus pais e sogros. Ser o primeiro a dizer: "Sinto muito pelo que disse" depois de uma discórdia em família. Oferecer perdão, com alegria e respeito, ainda que tenha sido afrontado. Essas são atitudes que demonstram amor. O Senhor Jesus nos ensinou:
“Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.” (Marcos 12: 30-31)
Cumprir esses mandamentos é ter uma vida familiar equilibrada. É ter a ordem correta para nossos relacionamentos familiares. Primeiro Deus e depois nossa família. Amar ao familiar como a nós mesmo, é agir com empatia e sabedoria.
Um lar cristão é aquele que pratica os ensinamentos de Cristo. Um lar que fala sobre Jesus, a bíblia, as coisas de Deus. Mas, nunca praticar o que fala é muito perigoso para todos os familiares, especialmente as crianças. Estaremos confundindo às crianças com mensagens erradas sobre Deus e fé. É ensinar as crianças que a fé cristã não tem nada a ver com a maneira como você vive. É uma postura, um comportamento religioso. Não demonstra a graça de Deus em seus atos. Vive, por exemplo, de aparências ao participar do culto domingo, escutar louvores enquanto lavo a louça, colocar adesivo com dizeres cristãos no carro, etc.
Cristo não foi convidado a participar. É fazer com que as pessoas da casa pensem que não há sacrifícios que valham a pena fazer pelo reino de Deus. Não é grave?
O que quero dizer com uma vida cristã “falsa”? Dizemos que Cristo é importante, mas não demonstramos que Cristo vive em nós. Cristo só estará em nossa família se formos obedientes ao que Ele nos ensina. Quem permite que Jesus entre em sua casa deve ouvir os seus conselhos e colocá-los em prática. Há um relato na bíblia sobre a reação de Zaqueu após ter permitido que o Senhor entrasse no seu lar e anunciasse a Sua Palavra:
“Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais. Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão.” (Lucas 19: 8-9)
Ele passou a ser um discípulo do Senhor. Também, ouviu do próprio Salvador a seguinte afirmação: “Hoje veio salvação a esta casa”. Que benção para ele e os membros de sua casa. Ora, se estamos em Cristo, devemos trabalhar e agir dentro do que o Senhor nos confere, certos de que o sucesso, virá não por causa de nossos esforços, mas por causa da benção do Senhor. A família foi criada e existe para cooperar com o propósito eterno de Deus de ter uma família de muitos filhos semelhantes a Jesus Cristo.
“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” (Romanos 8:9)
Vivendo em família aprendemos a perdoar, suportar, confessar, negar a nós mesmos, exercer autoridade em amor, corrigir com bondade, sacrificar-nos pelos outros, orar, confiar em Deus, administrar, compartilhar. Nossas famílias são o primeiro lugar em que praticamos nossa fé cristã. Somos mutuamente responsáveis pela vida de cada um. Vamos ver juntos algumas passagens que falam sobre responsabilidades familiares:
“Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.” (Deuteronômio 6:5-7)
Aqui, nos ensina que os pais têm a responsabilidade de guiar seus filhos nos caminhos do Senhor. Mães e pais devem nutrir espiritualmente seus filhos, modelando como é seguir a Jesus e também ensiná-los a palavra de Deus.
“Escutai, povo meu, a minha lei; prestai ouvidos às palavras da minha boca. Abrirei os lábios em parábolas e publicarei enigmas dos tempos antigos. O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor, e o seu poder, e as maravilhas que fez.” (Salmos 78:1-4)
É nossa responsabilidade contar a nossos filhos as coisas que Deus fez. Devemos transmitir as histórias das obras de Deus para que elas também depositem sua esperança em Deus e cumpram seus mandamentos.
“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra” (Efésios 5:25,26)
Os maridos têm esse dever de incentivar e edificar suas esposas em Cristo. A palavra de Deus deve ser a principal ferramenta do homem para fazê-lo. Deus responsabilizará um homem pelo cuidado espiritual que ele oferece a sua esposa.
Ele é o sacerdote do lar.
“Mas, se alguma viúva tem filhos ou netos, que estes aprendam primeiro a exercer piedade para com a própria casa e a recompensar a seus progenitores; pois isto é aceitável diante de Deus.” (1 Timóteo 5:4)
Mostra que temos a responsabilidade de fornecer comida e abrigo para a família de modo que suas necessidades diárias sejam atendidas. No caso das viúvas, isso fica muito mais evidente. Não podemos nos refutar de nossos encargos financeiros quando os nossos familiares estão em dificuldade. Isso agrada ao Senhor.
“Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.” (Efésios 6:1-3)
Você é responsável por mostrar honra aos seus pais. Você não é responsável pelas necessidades de seus pais; eles são responsáveis por suas necessidades. Mas, em troca, Deus diz para você deve honrar e respeitar seus pais. E, possivelmente, um dia, você precisará cuidar deles quando estiverem velhos e poderá retribuir o que eles fizeram por você.
Se Deus está nos mostrando em sua palavra que a família é uma responsabilidade, você deve se relacionar com os membros de sua família como um servo: alguém que está pronto e disposto a atender às necessidades de sua família. Jesus se tornou servo para nos salvar. Ele é muito superior a nós, mas ele decidiu nos servir, por amor a seu Pai. Da mesma forma, nós também devemos servir uns aos outros em nossa família.
“Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Pois, no meio de vós, eu sou como quem serve.” (Lucas 22:27)
Permitam-me mencionar brevemente duas maneiras pelas quais isso afeta as relações familiares. Antes de tudo, ver-se principalmente como um servo de sua família para cumprir sua responsabilidade dada por Deus que ajudará a proteger seu coração de idolatrar eles. Quando idolatramos nossas famílias, paramos de pensar em como podemos servi-los e começamos a esperar que eles nos sirvam. E é realmente sorrateiro; podemos desenvolver essas expectativas e nem perceber.
Como mencionei, muitas vezes nossas famílias são uma alegria. E louve a Deus por isso. Nós evitamos idolatrar nossas famílias quando nos lembramos que devemos ser seus servos cumprindo as responsabilidades que Deus nos deu.
O fato de lembrar de nossa responsabilidade para com nossas famílias, nos ajudará a permanecer focados no propósito de Deus por toda a vida. Uma coisa que noto é que servir minha família muda com o tempo. À medida que nossos pais ou sogros ficam mais velhos, nossa responsabilidade em relação a eles muda. Isso também acontece com nosso filho. Nossa responsabilidade em quando ele era bebê e criança pequena é diferente de quando se tornou adolescentes e, posteriormente, adulto. E, algum dia – se Deus quiser – ele estará fora de nossa casa formando sua própria família. Daí, nossa responsabilidade para com ele será muito diferente novamente. E quanto mais velho fica, menos precisa da nossa ajuda (ou precisa de um tipo diferente de ajuda). E eis o que não quero que aconteça: não quero me perder. Não quero me sentir inútil, porque me recuso a mudar a maneira como o sirvo. Quero ter certeza de que meus olhos estão voltados para o chamado de Deus em minha vida, para que, quando meu filho não precise mais de tanta ajuda, ainda esteja empolgado e pronto para servir o reino de Deus de outras maneiras.
Eu quero servir mais dentro da minha igreja local. Quero causar um impacto maior no meu bairro e na minha comunidade. Meu ministério precisa mudar de meu filho para outros que Deus colocou ao meu redor. Minha esposa e eu queremos estar mais disponíveis para ser usados pelo Senhor.
Obviamente, a família é um ministério importante; é o nosso mais importante. E, às vezes, requer foco e atenção muito especial. Mas, não é nosso único chamado; e família não é nossa maior recompensa. Nossa maior recompensa é o próprio Deus.
Não sacrifique um pelo outro. Tudo o que fizemos ou faremos deve ser consagrado ao Senhor.
“Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo” (Colossenses 3:23,24)
Luis André Rocha (discípulos de Jesus)
* O que você leu é um capítulo do livro
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