Relacionamentos: IGREJA

 

IGREJA (capítulo do livro Relacionamentos).

“Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem-ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.” (Efésios 4:15,16) 

A corrente que nos prende a família, às vezes é bem pesado. Passar uma herança, defender um primo fraco ou, quem sabe, o nepotismo no local de trabalho são exemplos de como temos quase esse vínculo inato com a família. Portanto, as palavras de Jesus em Mateus 12 são bastante revolucionárias; elas quase parecem desrespeitosas. Vejamos: 

“Falava ainda Jesus ao povo, e eis que sua mãe e seus irmãos estavam do lado de fora, procurando falar-lhe. E alguém lhe disse: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar-te. Porém ele respondeu ao que lhe trouxera o aviso: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E, estendendo a mão para os discípulos, disse: Eis minha mãe e meus irmãos. Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe.” (Mateus 12:46-50) 

Não é só que a família dele aparece e quer passar algum tempo com ele. Quero dizer, quem poderia culpar um cara por fazer com que seus irmãos esperassem mais 15 a 30 minutos. Mas a mãe dele também aparece. Se alguém exige respeito e uma audiência, é a mãe. O que Jesus diz e faz é muito importante para nós ao pensarmos em nosso relacionamento com o povo de Deus. Jesus olha para seus discípulos, olha para aqueles que aprenderam com ele, que fizeram sacrifícios por causa de sua obra e do Reino de Deus e diz: “Aqui estão minhas mães e meus irmãos! Pois quem faz a vontade de meu Pai no céu é meu irmão, irmã e mãe.” 

Jesus está nos ajudando a redefinir a vida e os relacionamentos dentro de seu reino. E o que ele está nos mostrando agora é que, quando somos chamados à vida de Deus por seu gracioso convite por Jesus Cristo, pelo poder do Espírito Santo, nos tornamos parte de uma nova família. É por isso que, quando você lê o Novo Testamento, continua vendo os membros da igreja, companheiros seguidores de Jesus, referidos como irmãos e irmãs em Cristo. Agora, em Cristo, somos membros de um só corpo. 

“Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros” (Romanos 12:4,5) 

No que se refere a família natural (imediata), parte do que parece desrespeitoso na afirmação de Jesus é a de que ele está escolhendo sua família espiritual em detrimento de sua família biológica ou imediata. E para alguns de nós, nenhuma pessoa ou grupo é mais importante que nossa família imediata. 

No capítulo anterior, conversamos sobre nossa família, aprendemos que Deus diz que temos responsabilidade para com os membros de nossa família. De fato, essa responsabilidade para com nossas famílias é muito significativa. Paulo disse que se você nega, ignora ou fecha seu coração a sua família, é pior que um incrédulo. 

Portanto, não pense que Jesus está de alguma forma advogando que nos tornemos desinteressados ou desamorosos para com nossos familiares; não é isso que ele está dizendo. Mas o que Jesus está ensinando aqui é profundo e todos precisamos dedicar algum tempo refletindo sobre seus ensinamentos (especialmente aqueles de nós que têm uma forte mentalidade de “primeiro a família”). Porque as palavras de Jesus são um desafio para nossas prioridades e compromissos familiares. 

Eu creio que Jesus está ensinando que existe um vínculo que temos com nossos irmãos em Cristo que é ainda mais profundo do que o vínculo que compartilhamos com nossos familiares. O que une as pessoas que nasceram de novo, por Jesus Cristo, é mais forte do que qualquer vínculo terrestre. Para alguns de nós, é difícil imaginar. Estamos tão perto de nossas famílias imediatas. Fazemos tudo juntos. 

Celebramos juntos; apoiamos um ao outro; cuidamos um do outro (deveríamos, pelo menos). 

Aposto que muitos já tenham experimentaram o que estou falando: um profundo vínculo espiritual com a família da igreja que você não tem com a família imediata. 

Você é o primeiro (talvez ainda o único) em sua família a ter recebido a graça salvadora do Jesus Cristo. Você chegou a ver que seu fracasso, sua rebelião é seu maior problema na vida. E você também viu que a morte e a ressurreição de Jesus são mais bonitas do que mil pores do sol do Guaíba. 

Mas, sua família não compartilha sua visão. Eles não podem porque não nasceram de novo. Então você espera e ora por sua família. Mas você também descobriu que o que você realmente precisa (encorajamento em Cristo, sabedoria de Deus, alimento para sua alma) que sua família não pode lhe proporcionar porque eles não compartilham sua fé em Cristo. Eles fornecem muitas outras coisas e louvamos a Deus por isso. 

Mas, você encontra o encorajamento em Cristo, a sabedoria de Deus, o alimento para sua alma em outra família, a família de Deus. Seus irmãos e irmãs em sua igreja. E você descobriu que tem uma casa com eles que nunca pensou em encontrar. Eles cuidam de você como se você fosse uma família; e você cuida deles da mesma maneira. Deus está nos dizendo que não é como se eles fossem sua família; eles são sua família – sua família em Cristo. E o que os une a seus irmãos e irmãs em Cristo é mais forte que o sangue, mais forte que a papelada legal da adoção, mais forte que o DNA; o que os une é sobrenatural. Muitos sabem que bênção indescritível quando nossa família biológica também é nossa família espiritual em Cristo. Família em Cristo pois somos filhos de Deus. 

“Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes.” (Gálatas 3:26,27) 

É importante começarmos aqui a falar um pouco mais sobre nosso relacionamento com nossa igreja. Você precisa pensar da maneira certa e acreditar na coisa certa, ou nunca terá uma ação e um comportamento adequado em seu relacionamento com a família da igreja. Porque aqui está o problema quando falamos sobre esse tipo de relacionamento: exige tudo e fornece tudo. As escrituras nos dizem que devemos ser uma bênção e receber a bênção em relação a nossos irmãos e irmãs em Cristo. Estamos unidos em amor no corpo de Cristo. 

“Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem-ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.” (Efésios 4:15,16) 

Li em uma vez que no Novo testamento que, por cinquenta e nove vezes, somos ordenados a fazer algo um com o outro dentro do corpo de Cristo. Cinquenta e nove vezes. A igreja de Jesus Cristo é a coleção de indivíduos que compõem a assembleia local. Você é a igreja. Eu sou a igreja. Nós somos a igreja. Porém, este edifício onde nos reunimos, não é a igreja. 

Todos nós, juntos, somos a igreja e devemos viver nossas vidas em relacionamentos de bênção uns com os outros. Deixe-me dar um exemplo dessas passagens um do outro. Destas cinquenta e nove passagens, surgem alguns temas; ou talvez se possa dizer que existem outros comandos que são repetidos com bastante regularidade porque são muito importantes. Aqui está o comando mais frequente: amar um ao outro. Essa direção é afirmada de várias maneiras. 

Alguns exemplos: 

Amar uns aos outros. 

“Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros” (1 João 3:11) 

Amar com intensidade. 

“Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados.” (1 Pedro 4:8) 

Crescer em amor uns para com os outros. 

“E o Senhor vos faça crescer e aumentar no amor uns para com os outros e para com todos, como também nós para convosco” (1 Tessalonicenses 3:12) 

Conviver e exortar no Senhor. 

“Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.” (Hebreus 

10:25) 

Diariamente, aconselhar e ser aconselhado. 

“Exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.” (Hebreus 3:13) 

Confessar os pecados e orar uns pelos outros. 

“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.” (Tiago 5:16) 

Ter paciência e saber perdoar como aprendemos com o Senhor. 

“Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós” (Colossenses 3:13) 

Deus espera que sejamos uma bênção para nosso irmão em Cristo. Por isso, para ser verdadeiramente abençoado e ser uma bênção para a família da igreja, você precisa estar integrado. O que quero dizer com isso é que você precisa estar conectado e envolvido com outras pessoas na igreja local. O insucesso em se conectar e se integrar à vida de uma igreja é uma das principais razões pelas quais as pessoas param de frequentar. Eu não quero isso para você. Parte da bênção que estamos buscando chega até nós através do outro. Assim quando sentimos falta disso, quando nunca o entendemos, não é de surpreender que paremos. Você não experimentará as bênçãos de: 

Servir uns aos outros em amor. 

“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor.” (Gálatas 5:13) 

Dar as boas-vindas uns aos outros da maneira como Cristo os recebeu. 

“Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus.” (Romanos 15:7) 

Edificar uns aos outros. 

“Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo.” (1 Tessalonicenses 5:11) 

Como um de nós poderá experimentar essas bênçãos se não estiver conectado, envolvido, integrado na vida da família da igreja? Não pode. É tão importante que, aqueles que já fazem parte da igreja local, estejam abrindo suas vidas, seus espaços, seus ministérios para ajudar os recém-chegados a se integrarem. É necessário expandir o calor e as boas-vindas de Cristo para ajudar todos a se integrarem. Imagine se você for aquele designado por Deus para edificar essa pessoa na Palavra? Ensinar sobre quão grandes coisas fez o Senhor? 

“Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!” (Romanos 10:14,15) 

E para aqueles que são os mais novos? Os que acabaram de chegar? Um pouco mais de coragem ainda é necessário. Você deu um primeiro passo importante, mas ainda há mais alguns pela frente. Dê esse passo corajoso para estudar a Bíblia e participar da reunião nas casas ou da escola dominical, conforme sua congregação. 

Não fique somente no culto de domingo. Aprofunde-se no conhecimento de Cristo e na comunhão com os irmãos. Se você ouve sobre oportunidades de servir, considere dizer sim a elas. Não espere no canto perguntando: “Quando os outros virão me convidar”. Existe um tipo certo de proteção que fazemos de nós mesmos. 

No entanto, se estivermos protegidos com todos, nunca seremos verdadeiramente conhecidos; nem encontraremos a ajuda necessária em nossa jornada. 

Então, faça coisas para ser abençoado e ser uma bênção para os outros membros da família da igreja. Não é que você não esteja experimentando as bênçãos, mas você poderia estar ainda mais. Deixe-me desafiá-lo: se você está se escondendo, saia. Confie que Deus tem mais para você do seu povo. Nem sempre o convívio é fácil, mas sua recompensa e retorno valerão a pena. 

“Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço.” (1 João 2:10)


Luis André Rocha (discípulo de Jesus)


* O que você leu é um capítulo do livro RELACIONAMENTOS que poderá ser encontrado na Amazon: https://amz.onl/2ZFXsnm