Seguir Jesus não é garantia de uma vida fácil e confortável. Infelizmente, muitas pessoas acreditam nisso; até alguns pregadores proclamam isso. Mas a Bíblia não ensina essas coisas. Em vez disso, a vida como seguidor de Jesus é uma mistura de bênçãos e obstáculos, até oposição. Não seguimos Jesus com a expectativa de que a vida será fácil; seguimos Jesus crendo, confiando que o Senhor será nossa força para perseverarmos. Essa é a nossa esperança. Que o Senhor nos salve de todas as más ações e nos traga com segurança para o seu reino celestial.
Deixe-me mostrar um exemplo de más ações descritas pelo apóstolo Paulo:
“Procura vir ter comigo depressa. Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica; Crescente foi para a Galácia, Tito, para a Dalmácia. Somente Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério. Quanto a Tíquico, mandei-o até Éfeso.
Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos. Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras. Tu, guarda-te também dele, porque resistiu fortemente às nossas palavras. Na minha primeira defesa, ninguém foi a meu favor; antes, todos me abandonaram. Que isto não lhes seja posto em conta! Mas o Senhor me assistiu e me revestiu de forças, para que, por meu intermédio, a pregação fosse plenamente cumprida, e todos os gentios a ouvissem; e fui libertado da boca do leão. O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial. A ele, glória pelos séculos dos séculos. Amém!” (2 Timóteo 4: 9-18)
Paulo está na prisão. Ele foi abandonado e perseguido. Claramente, Deus não o resgatou de todas as más ações. O mal que Deus prometeu nos resgatar, o mal ao qual nunca sucumbiremos é o mal que visa nossos corações e almas. Embora possamos perder todo tesouro terrestre para o mal deste mundo, nunca perderemos nossa alma, nunca perderemos nosso futuro lar se Cristo viver verdadeiramente dentro de nós. Nada jamais nos separará do amor de Deus encontrado em Cristo Jesus, nosso Senhor. O que mais queremos e precisamos, o próprio Deus, sempre teremos. Nenhum mal jamais vai tirar isso.
Como você leu nesse relato de 2 Timóteo, grande parte da dor de Paulo veio da frustração com os outros. Ele foi abandonado por alguns. Ele foi esquecido por outros. Ele dolorosamente descobriu que não tinha tantos parceiros fiéis na obra do ministério como ele pensava que tinha. Mais do que isso, Paulo não tinha apenas pessoas que o decepcionavam, ele tinha pessoas contra ele.
Amigos que decepcionam você não quer dizer que são seus inimigos. Mas, Alexandre, o latoeiro, é um inimigo. Diz na epístola: “Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras”.
Cuidado com ele, pois ele se opôs fortemente à nossa mensagem. Ele me machucou. Timóteo, ele também irá prejudicá-lo, então cuidado. Ele odeia a nossa mensagem.
Existem duas outras referências a um Alexandre no Novo Testamento. No livro de Atos, aprendemos sobre um Alexandre que provocou uma revolta em Éfeso contra Paulo. Ele era um homem judeu que se juntou ao coro de queixosos sobre o cristianismo.
“Foi a cidade tomada de confusão, e todos, à uma, arremeteram para o teatro, arrebatando os macedônios Gaio e Aristarco, companheiros de Paulo.
Querendo este apresentar-se ao povo, não lhe permitiram os discípulos.
Também asiarcas, que eram amigos de Paulo, mandaram rogar-lhe que não se arriscasse indo ao teatro. Uns, pois, gritavam de uma forma; outros, de outra; porque a assembleia caíra em confusão. E, na sua maior parte, nem sabiam por que motivo estavam reunidos. Então, tiraram Alexandre dentre a multidão, impelindo-o os judeus para a frente. Este, acenando com a mão, queria falar ao povo.” (Atos 19:29-33)
Também, na primeira epístola a Timóteo, aprendemos sobre outro Alexandre que era cristão e colaborador de Paulo, mas (como Paulo diz) naufragou em sua fé e se afastou.
“Este é o dever de que te encarrego, ó filho Timóteo, segundo as profecias de que antecipadamente foste objeto: combate, firmado nelas, o bom combate, mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé. E dentre esses se contam Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para serem castigados, a fim de não mais blasfemarem.” (1 Timóteo 1:18-20)
Esses dois homens não são os mesmos por causa da maneira como são descritos.
Muitos estudiosos acreditam que Alexandre, o latoeiro, é o segundo que foi descrito em 1 Timóteo. Um ex-seguidor de Jesus. Nesse caso, pense nisso: um homem com quem Paulo costumava considerar, agora não apenas se afastou da fé, mas também se tornou um forte oponente do cristianismo e do apóstolo.
De fato, da maneira como você lê em 2 Timóteo, parece que o grande mal causado por Alexandre estava colocando Paulo na prisão; talvez seja por isso que ele está lá. Possivelmente, Paulo esteja na prisão por causa da oposição de Alexandre, o latoeiro. O Judas de Paulo. Eu sei que isso é possível; perder a fé e até se opor aos irmãos em Cristo. Já conheci alguns casos. Inclusive de pessoas próximas. A ponto de, inclusive, tramarem contra a pregação do evangelho.
Então, Paulo tinha inimigos. Você e eu provavelmente também temos inimigos.
Vamos definir o que é um inimigo. Um inimigo é alguém que trabalha ativamente contra o seu bem-estar ou missão. O objetivo dessa pessoa é machucá-lo. Seria como um colega de trabalho que constantemente o ridiculariza, o derruba, dizendo para você que não é capaz só para desestimulá-lo, é um inimigo. Seu colega de trabalho que fofoca sobre você na tentativa de prejudicar sua reputação e criar divisões entre seus amigos de trabalho. Um colega que fica fazendo intriga, injustamente, de você para seu chefe para pegar o seu lugar na empresa. O colega que intimida ou ameaça você na escola. Estes, podem ser chamados inimigos.
Às vezes, temos inimigos por causa de nossa fé em Deus. Nossas convicções e crenças podem ser munições fáceis usadas contra nós. Alguns podem até viver com um inimigo. Talvez o cônjuge seja hostil às coisas de Deus e muitas vezes ridicularize você e sua fé em Jesus. Talvez você esteja sofrendo de abuso doméstico. Os desafios domésticos são muitas vezes os mais difíceis de lidar. Estar muito próximo torna o dano muito mais sinistro e difícil de lidar. Portanto, um inimigo não é apenas alguém que pode ser cruel, mas alguém que se opõe a você e trabalha contra o seu bem-estar por algum motivo.
É difícil saber como devemos nos relacionar com nossos inimigos. Por um lado, podemos ser tentados a revidar. Ficar quite. Mas isso parece estar aquém do caminho de Jesus. Podemos querer correr. Mas nem sempre é tão fácil e nem sempre funciona. Temos que voltar ao trabalho ou à escola amanhã; se seu inimigo é um membro da família ou um vizinho, para onde você corre? Felizmente, temos a palavra de Deus para nos guiar. Como muitas das coisas que Deus nos diz, elas podem não ser difíceis de entender, mas podem ser mais difíceis ainda de implementar ou praticar. O mesmo Paulo que foi perseguido, escreve aos Romanos:
“Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis. Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram. Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos. Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor. Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.” (Romanos 12:14-21)
Paulo nos incentiva ao enunciar: "Pelo contrário, se seu inimigo está com fome ...", faça isso. Você vê? Paulo está dizendo: "É assim que você deve se relacionar com os inimigos". É disso que ele está falando. Vamos analisar o que ele diz. Este texto está repleto de pensamentos e mandamentos maravilhosos de Deus, que acho que nos fornecem ajuda prática para saber como nos relacionar com os inimigos. Quero chamar sua atenção para vários deles. Mas vamos começar com o que pode ser considerado o grande objetivo. Embora existam todos os tipos de fatores a serem considerados quando estamos lidando com desafios relacionais tão difíceis, a única coisa que você e eu podemos ter certeza de que Deus quer que façamos é encontrado no verso 21. Paulo diz: “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.”
Podem haver vários fatores a serem considerados ao se relacionar com os inimigos, mas, acima de tudo, certifique-se de que você não seja vencido pelo mal; em vez disso, supere o mal com o bem. O que isso significa? Como você sabe se é vencido pelo mal ou se está vencendo o mal fazendo o bem? Acho que nos deram essa resposta nos outros versículos deste parágrafo. Vamos acompanhar: Vs. 17 diz que “não torneis a ninguém mal por mal”: quando você faz isso (quando você se vinga) está sendo vencido pelo mal.
Vs. 19 - “não vos vingueis a vós mesmos”: Vingar-se a si mesmo em vez de confiar em Deus; isso é ser vencido pelo mal.
Vs. 14 - “abençoai e não amaldiçoeis”: Amaldiçoar os outros, em vez de abençoá-los, novamente, é um exemplo de ser vencido pelo mal.
Se você ceder à tentação e fizer o que esses versículos dizem que não devemos, estaremos vencidos pelo mal. O pecado pode nos dominar. E é mais provável que nosso pecado nos domine em situações estressantes. Situações estressantes são testes; elas são provações. E no embate, quando nos sentimos vulneráveis ou com raiva, é mais provável que respondamos com medo e autopreservação do que com fé e adoração a Deus.
Você acaba fofocando sobre seu vizinho porque ele fez fofoca sobre você primeiro – você está sendo vencido pelo mal. Você xingando o seu colega de trabalho em um acesso de raiva está sendo vencido pelo mal em um momento de provação.
Estes são exemplos de não andar pela fé em um momento reconhecidamente estressante. Mas, Como eu vivo assim? Como evito ceder em uma situação tão difícil? São perguntas muito boas. Uma coisa é saber o que fazer. Mas, outra coisa, é saber como fazê-lo. Nossas ações de fé sempre começam com o que acreditamos ser verdadeiro; sempre começa com a palavra de Deus. Então, deixe-me mostrar algumas coisas que Deus diz que é verdade para que você e eu possamos acreditar.
Primeiro, observe como Deus diz que você é limitado em sua capacidade de mudar as coisas. Veja o versículo 18: “se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens”. Ele não disse apenas: “Viva pacificamente com todos”.
Você sabe por quê? Você não está completamente no controle disso. Viver em paz com alguém requer algum tipo de acordo. Às vezes, não conseguimos esse acordo.
Portanto, se possível, na medida em que isso depende de você, viva pacificamente com todos. Você sabe por que isso é útil para ver e acreditar? Normalmente, tendemos a pensar que temos mais poder para controlar uma situação do que os outros. E então, quando essa situação se torna um pouco mais tensa, tentamos exercer um pouco mais de poder. Mas você sabe o que acontece quando eu faço isso? Torno o problema mais confuso. Viver em paz não depende totalmente de você. Você pode fazer tudo do jeito que deveria e ainda pode ter um inimigo. Se você sabe e acredita nisso, acho que fará pelo menos mais uma coisa: orará mais.
Irá reconhecer que a necessidade é maior do que sua capacidade. A lâmpada acenderá e você dirá para si mesmo: “Eu realmente não tenho forças para encontrar paz com essa pessoa”. E isso deve nos fazer orar em uma situação difícil.
A segunda verdade que nós precisamos abraçar e acreditar é que Deus consertará isso. Deus consertará isso executando o tipo de julgamento e ira que esse mal exige.
“...porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.” (Romanos 12:19)
Deus pagará. A vingança é do Senhor. Não é sua. Penso que no fundo de nossas almas, quando vemos o mal ou experimentamos o mal, nosso coração clama algo como: “Alguém vê isso? Alguém vai fazer alguma coisa? Deus nos criou com uma consciência e, quando nossa consciência está funcionando como planejada, quando vemos ou experimentamos o mal, um certo senso de justiça borbulha em nossas almas, procurando por justiça. É por isso que sentimos raiva quando ouvimos histórias de abuso infantil. É por isso que sentimos nojo quando os ricos, os poderosos, se safam de crimes. Quando não vemos ninguém fazendo nada, queremos resolver o assunto com nossas próprias mãos.
Paulo está nos dizendo: “Deus consertará isso. Deus punirá o malfeitor. Este pecado não será ignorado.” Porém, há um problema com isso: parece que o mal é ignorado. Aposto que já aconteceu com você tentar fazer a coisa certa quando se trata de um valentão no trabalho, na escola ou na vizinhança. Você orou. Você esperou. Você tentou ser gentil. Você tentou dar a outra face e simplesmente ignorar os insultos. E nada acontece. Aí, você fica se perguntando: "Deus, onde você está? Você não se importa? Você está assistindo isso? E isso nos deixa magoados, confusos e cheio de dúvidas. É quando tomamos o assunto em nossas próprias mãos.
Só que, nós crendo ou não, tudo está no controle de Deus. Ele não permitirá que o mal prevaleça. Eu sei que isso não está acontecendo tão cedo para você quanto gostaria. Mas, Deus se prometeu, acontecerá. Ele nos deu uma imagem do futuro (no livro do Apocalipse) e de como isso será. É uma garantia. Você pode confiar em Deus para corrigir os erros pelos quais estamos passando. Você notou como isso ajuda Paulo quando ele pensa em Alexandre, o latoeiro?
Paulo disse: “Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga
segundo as suas obras.” (2 Timóteo 4:14)
Agora, talvez haja uma parte de você pensando: “Uau, isso não parece muito amoroso? Deveríamos orar: Deus, acabe com ele” Há uma tonelada de pensamentos e emoções confusos em uma situação tão difícil. Mas saber que Deus cuidará desse problema nos liberta para obedecê-lo. Se pudermos nos libertar do nosso senso interno de que algo deve ser feito, podemos fazer o que Deus nos diz para fazer. Basicamente, crendo que Deus executará a justiça necessária e que somos livres para fazer o que Ele nos manda. Aqui está o chamado: faça o bem ao seu inimigo. Sirva-os. Abençoe-os. Jesus nos ensina o caminho:
“Digo-vos, porém, a vós outros que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam. Ao que te bate numa face, oferece-lhe também a outra; e, ao que tirar a tua capa, deixa-o levar também a túnica; dá a todo o que te pede; e, se alguém levar o que é teu, não entres em demanda. Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles.” (Lucas 6:27-31)
Você pode fazer isso? Não por causa de sua força, mas por causa da força de Jesus. Precisamos mudar algumas de nossas expectativas parando de pensar que se tem o poder de mudar uma situação ou a pessoa que nos está maltratando.
Você também precisa acreditar que Deus cuidará do que está errado. Se alguém precisar ser punido, Deus o fará. E ele vai. Confie que Deus promete sempre fazer a coisa certa, liberando você do seu desejo de fazer o que acha que precisa ser feito. Em vez disso, lembre-se de como Jesus te salvou quando você era inimigo de Deus. Lembre-se de como ele te satisfez com a água da vida ainda sendo você um pecador. Lembre-se de como ele alimentou sua alma com alimento espiritual quando seu coração estava longe dele. E que essa alegria se transforme em cuidar dos outros, até dos seus inimigos.
“E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis, se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, me tornei ministro.” (Colossenses 1:21-23)
Quando deixamos Deus tomar conta de nossos relacionamentos, tudo fica mais fácil em nossa vida.
Luis André Rocha (discípulo de Jesus)
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