Cristo sendo formado em mim
A bíblia nos relata que quando Paulo escreveu a
carta aos gálatas, ele estava muito preocupado pois estavam se afastando do
evangelho que fora pregado.
O que aconteceu lá, há dois mil anos, é algo muito
presente nos dias de hoje. Parece que foi escrita para o momento em que estamos
vivendo.
Vamos entender a preocupação do Apóstolo:
Como era possível que os Gálatas tivessem abandonado o poder da
graça de Cristo para abraçarem um Evangelho diferente? O que houve? Afinal, o
Evangelho que o apóstolo tinha pregado era inteiro e completo.
A formação de Cristo neles estava em jogo, por isso é muito
importante entender esse texto.
Diz na epístola de Gálatas, capítulo quatro:
"Meus filhos, por quem de novo sinto as dores
de parto, até que Cristo seja formado em vós". Gálatas 4.19.
O Evangelho que fora pregado revela Deus buscando e
salvando, graciosamente, todos os Seus eleitos rebelados e os transformando em
Seus filhos, sem qualquer contrapartida.
“Porque pela graça sois salvos,
mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que
ninguém se glorie. ” (Efésios 2:8-9).
O Evangelho é a vida de Cristo em nós, depois de
termos sido crucificados com Ele.
O Evangelho não se aprende, se vive.
Porém, os gálatas estavam abandonando a liberdade e
a graça, que aprenderam no conhecimento de Cristo Jesus, para servir a
princípios religiosos.
Eles estavam desertando daquele que os chamou à
graça de Cristo, para tentarem agradar a Deus pela obediência da lei.
O meu “eu” tentando agradar a Deus obedecendo a lei.
Para o homem natural é impossível um Evangelho não
tem cobrança, nem troca de favores, e que é uma fonte de alegria.
A religião milita contra a graça.
“Convém que Ele cresça e que eu diminua”, disse João Batista ao falar do Cristo (João 3:30)
Todo o ensino de Deus é que Cristo cresça e que o
nosso “eu” diminua.
“Estou crucificado com Cristo. Não vivo mais eu, mas
Cristo vive em mim”. (Gálatas 2:19-20)
O Evangelho que o apóstolo tinha pregado era o
Evangelho inteiro e completo.
Não se podia acrescentar o que quer que fosse sem o
alterar, sem o adulterar, sem dizer que ele não era o Evangelho perfeito.
Mas, a carne do homem gosta de ter algum crédito;
não suporta se sentir como um incapaz. Não aceita ser excluída e condenada ao
nada.
Só que, os que são de Cristo crucificaram a carne e
as suas concupiscências.
É a característica dos verdadeiros cristãos: Formar
Cristo em nós. Esse é o propósito de Deus.
No livro de Mateus, há o relato do Pai se
manifestando em relação ao Seu Filho da seguinte forma:
“E eis uma voz do céu, que dizia: Este é o meu Filho
amado, em que me comprazo”. (Mateus 3:17)
Por mais duas vezes o Espírito Santo registra na
bíblia essa expressão de satisfação do Pai em relação ao Seu Filho (Mc 1.11; Lc
3.22).
Ele quer nos dizer: “Vejam, este é Aquele que satisfaz o Meu coração”.
Por isso o desejo do Pai e a obra do Espírito Santo
sempre terão o foco de formar Cristo em nós. Evangelho não é nada menos do que
o processo pelo qual o Espírito Santo forma a vida de Cristo em nossa vida.
Só que, para que Cristo seja formado em nós,
precisamos conhecê-lo.
Então, devemos confessar que ainda O conhecemos tão
pouco e precisamos entrar em uma relação de intimidade com a Sua Pessoa.
Quem Ele é, como é o Seu caráter, Sua fala, Sua
mente?
Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu
quem vive, mas Cristo vive em mim…” (Gl
2.19-20).
A formação de Cristo não é um esforço humano; não é
um empreendimento da nossa parte que constrói a imagem de Cristo em nós.
É uma vida que nos foi dada e que tem a sua própria
dinâmica, seu próprio mover. Essa vida quer se manifestar em nós.
Cristo formado, revelado e expressado em nós. Isso
satisfaz o coração do Pai.
Ele Se satisfaz com Cristo, por isso, como nos ama
tanto.
Ele deseja o que tem de mais precioso para nós, que
é formar a vida do Seu Filho em cada um de nós.
Por isso, o ministério do Espírito Santo é formar
Cristo em nós.
Ele tem como propósito nos lembrar de tudo o que o
Senhor Jesus disse aqui na terra (João 14.26),
O ministério do Espírito Santo não é falar de Si
próprio, não é chamar atenção sobre Si mesmo, mas tem este propósito: revelar
Cristo, lembrar Cristo, edificar Cristo.
No capítulo 3 do livro de João, o Senhor Jesus nos
diz: “… se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. (…)
quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é
nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. (…)
importa-vos nascer de novo” (vv. 3, 5-7).
Se nascemos de novo, há outra vida em nós.
Vamos imaginar: Uma vida quando nasce, é pequena e
precisa crescer. Quando essa vida começa a crescer, o conflito com a vida velha
começa a ficar claro.
A Bíblia não diz que o nosso velho homem é
erradicado de nós.
Pelo contrário, ele está lá e se tiver oportunidade
irá se manifestar. Agora, porém, existe uma vida nova, e ela quer crescer em
nós.
O apóstolo Paulo diz que “o homem natural não
aceita as coisas do Espírito de Deus… e não pode entendê-las, porque elas se
discernem espiritualmente”.(1 Coríntios 2.14)
Portanto, para que essa vida cresça, precisamos das
Escrituras, precisamos estudá-las, meditar nelas, memorizá-las. Se formos às
Escrituras, o Senhor Jesus aparecerá, Ele vai se revelar.
A vida que está dentro de nós se manifesta por meio
da Palavra de Deus. Palavra é o meio que o Espírito Santo tem para revelar a
Cristo.
Se quisermos conhecer o Senhor, se quisermos nos
aprofundar no conhecimento da Sua Pessoa, se quisermos cooperar com a obra do
Espírito Santo para que Cristo seja formado em nós, a Palavra de Deus deve
habitar em nós.
Ainda, o apóstolo diz: “andai no Espírito e
jamais satisfareis a concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o
Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que
não façais o que, porventura, seja do vosso querer.” Gálatas 5.16-17.
O Espírito Santo não fala de Si mesmo, mas tem um
propósito definido: Ele nos revela Cristo, Ele nos lembra das palavras de
Cristo. Ele nos abre as Escrituras para que percebamos que todo o tema delas,
do início ao fim, é Cristo.
Cristo precisa crescer, Seu caráter precisa crescer
em nós. O Espírito Santo tem de estar no controle, conduzindo a nossa mente, a
nossa vontade, levando-nos a uma cooperação mais inteligente com o Senhor em
cada momento.
O Espírito Santo foi enviado para habitar em nós de
forma que nos tornássemos filhos maduros, dignos de confiança, preparados para
Deus e para o Seu propósito.
Conhecer a Sua Pessoa, conhecer quem Ele é, conhecer
Sua voz, Seu comportamento, a maneira com que Ele Se relaciona com os outros,
as atitudes que Ele tem diante das situações.
Precisamos conhecer o Senhor como uma Pessoa,
Entre os exemplos na bíblia, há o que aconteceu com
Maria, irmã de Marta (Lucas 10.38-42).
Ela “quedava-se assentada aos pés do Senhor a
ouvir-lhe os ensinamentos”
Quando a Pessoa do Senhor está diante de nós, temos
de nos aquietar.
Maria percebeu o valor do Senhor Jesus, ouviu
aquelas palavras, viu aquele comportamento, viu os olhares do Senhor, viu Seu
proceder.
Tendo em vista que o propósito prioritário do
Espírito Santo é formar Cristo em nós, precisamos conhecê-lO no Seu caráter, na
Sua Pessoa, quem Ele é.
Aos pés de Jesus, sempre perguntar: o que devo
fazer, Senhor? Senhor, como posso conhecer a Tua Pessoa nessa situação? Com
relação a minha casa? A família? Ao trabalho? Ao relacionamento com os irmãos?
Muitas vezes nos precipitamos pois não
esperamos as orientações do Senhor.
Ou, nem sabemos o que Jesus faria pois ainda não o
conhecemos suficientemente.
Pregar o evangelho, por exemplo, é algo claro a
todos os convertidos e está no coração de todo aquele que nasce de novo. (Mt
28:19; Mc 16:15). Sabemos que essa é a vontade de nosso Senhor.
Já, algumas pessoas, por exemplo, fazem as coisas
seguindo a sua consciência. Mas a consciência apenas mostra nossos pensamentos
sobre o que é certo, mas não declara qual a vontade de Deus.
A religiosidade
é isso. Fazer o “certo” (o
errado, na verdade) sem escutar o
Espírito Santo.
Porém, eu não estou crucificado com Cristo? Não vivo
mais eu, mas Cristo vive em mim. (Gl 2:19-20).
Não é isso?
Como posso ainda seguir a minha consciência sem consultar o Espírito Santo?
Agir sem a permissão clara de Deus é agir
presunçosamente. A presunção é sempre condenada na Bíblia. Alguns exemplos:
Saul atreveu-se a achar que não fazia mal se ele
oferecesse os sacrifícios, ainda que Deus não houvesse dito isso, foi
condenado (1 Samuel 13).
Nadabe e Abiú tomaram por certa a permissão de
oferecerem outro fogo, a respeito do que Deus não falou, foram
consumidos por Deus (Levítico 10).
Uzias confiou por presunção que um não-levita
pudesse queimar incenso, ainda que Deus não o houvesse declarado, foi
castigado com lepra (2 Crônicas 26).
Como, então, agir com discernimento?
“Convém que ele cresça e que eu diminua”, (Jo 3:30)
Dia após dia Cristo sendo formado em nós (Gl 4.19)
Assim como Maria, se aquietar e ouvir a Cristo.
Quanto mais os irmãos em Gálatas
estivessem aos pés de Jesus mais Ele estaria sendo formado neles.
Cristo em nós é a vacina contra a
religião e o peso de seu fardo.
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu
vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e
humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é
suave, e o meu fardo é leve.” (Mt 11: 28-30)
Venha a mim. Aprenda de mim. Eu vos aliviarei.
O Evangelho é a vida do nosso Senhor Jesus em nós.
É aprender e viver a vontade do Senhor Jesus.
O desejo do Pai e a obra do Espírito Santo é formar
Cristo em nós.
Formar Cristo em nós é o que alegra o coração do Pai.
Cristo está sendo formado em você?
Está procurando
conhecer o Senhor?
Luis André Rocha (discípulo de Jesus)
