Relacionamentos: DEUS

 

DEUS (capítulo do livro Relacionamentos).

“Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.” (Jeremias 33:3) 

Alguns filmes, por motivos diversos, ficaram marcados em minha vida. Um deles foi o Náufrago. Você se lembra dele? O sujeito acabou isolado em uma ilha deserta. 

Todas as pessoas que o conheciam acreditaram que ele estava morto. Ele realmente ficara só. Não sei o tem de especial nesse filme, mas gosto muito. Há temas neste filme que me atraem. Um deles é a importância dos relacionamentos em nossas vidas. 

Você se lembra dos dois relacionamentos que eram centrais na vida do personagem principal (Chuck Noland)? O primeiro foi Wilson. Uma bola manchada de sangue que se tornou seu melhor e único amigo na ilha. O outro relacionamento era com sua noiva. Além de estarem distantes milhares de quilômetros, ela acreditava que ele havia morrido. Nele, havia uma esperança, um sonho de se unir a ela novamente. Isso o mantinha vivo. Chuck sobreviveu em uma ilha deserta porque seu relacionamento com a bola o sustentava e seu relacionamento com sua noiva mantinha uma esperança viva. Nossos relacionamentos definem amplamente nossas vidas. Como exemplo, nos dias de hoje, as formas de relacionamento mais conhecidas e populares são chamadas de rede de contato ou networking. Uma espécie de parceria onde as pessoas fazem parte de um círculo de contatos para trocar informações, aprendizado e se ajudar mutuamente. A maioria desses relacionamentos são distantes e com pouca interação. As redes sociais são a maneira moderna de se relacionar. O mundo virtual facilita os contatos, mas nos isola do mundo real. Virtual ou real, todas as formas de nos relacionarmos formam o que somos e como pensamos. 

Há uma variedade de relacionamentos que compõem nossas vidas. Alguns desses relacionamentos parecem mais importantes que outros. Mas, todos os nossos relacionamentos são importantes com base no que Deus diz. 

Nosso relacionamento com o vizinho pode não parecer tão significativo quanto o relacionamento com a família. Só que, quando você lê sua Bíblia, descobre que Deus pensa que ele também é muito importante. E se Deus diz que os dois são igualmente importantes, é melhor você torná-los importantes para você. 

Nesse livro, falaremos de alguns relacionamentos que são inseparáveis da nossa vida:

▪ Deus – abordaremos durante esse capítulo. E, é óbvio que é indivisível da 

nossa vida. 

▪ Família – Os comportamentos dos membros da família diferentes do que pensamos para nossa vida. Crises de convivência constantes. Porém, mesmo nesses casos, vamos descobrir que podemos honrar a Deus em nossos “confusos” relacionamentos familiares. 

▪ Igreja – Como devemos nos considerar irmãos e irmãs em Cristo. Quero dizer, não só de boca, mas de ações concretas. É possível? 

▪ Amigos – Há amizades que são muito próximas e que podemos confiar. 

Esses tipos de amigos são aqueles que fariam qualquer coisa por você, incluindo dizer a verdade quando você talvez não queira ouvi-la. 

▪ Vizinhos – Como devem ser nossos relacionamentos de vizinhança? A Bíblia tem uma boa quantidade de informações sobre isso. 

▪ Inimigos – Temos inimigos na vida (lamento dizer). Vamos ver o que Deus diz para você se relacionar bem com seus inimigos. 

O objetivo do livro é aprender a verdade da Palavra de Deus sobre esses relacionamentos para melhor engrandecer ao Senhor. 

É natural e correto começar com o nosso relacionamento com Deus por várias razões. Certamente, é o nosso relacionamento mais importante. Você concorda? 

Se discorda, sugiro que continue a leitura mesmo assim. Tenho certo que logo mudará de ideia. 

Na verdade, você tem um relacionamento com todos que acabei de listar e muito mais. A questão não é se você tem um relacionamento com sua família, igreja, amigos, inimigos, quem quer que seja. A pergunta é “que tipo de relacionamento você tem?” E com Deus? Você tem um relacionamento com Ele? É de paz ou guerra? Você é filho dele ou inimigo dele? Você tem um relacionamento com sua família. É forte ou está distante? Você é uma presença prestativa e amorosa com seus vizinhos ou é cruel, distante e evitável? Estamos conectados a uma rede de relacionamentos. Nos cabe determinar como viveremos nesses relacionamentos. 

Deus não é apenas um relacionamento entre os muitos que temos. Ele é o relacionamento central de nossas vidas. Parte da razão disso é porque ele define para nós como devemos nos relacionar em todos os outros relacionamentos que temos. Deus nos diz como devemos nos relacionar com a família, vizinhos, colegas de trabalho, cônjuges, igreja. Não recebo ordens de meus vizinhos sobre como me relacionar com minha igreja ou família. Minha família também não me diz qual deve ser meu relacionamento com meus inimigos (porém, eles sempre dão alguns palpites). 

Deus me diz como deve ser cada relacionamento que eu tenho. Isso faz dele, sem dúvida, o relacionamento mais importante de todos. Por isso, existem muitas maneiras de se relacionar com Deus. Por exemplo, Deus é nosso Criador. Isso significa que ele nos criou e tudo ao nosso redor. Deus sendo o Criador nos torna responsáveis, através dele, de como interagimos e nos relacionamos com o resto de sua criação. Como responsáveis, devemos ouvir a voz do Senhor. Entender que tudo está sob seu controle. 

“Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei.” (Jeremias 29:11,12) 

Deus também é um pai. Repetidamente na bíblia isso está ligado ao seu grande amor por você. Deus é um Pai amoroso que alguns nunca tiveram. Ou, mesmo você tendo um pai amoroso, Ele é muito mais. Sendo nosso Pai amoroso, ele constantemente trabalha e age ao nosso bem. 

Ele é um rei. Não, ele é o rei dos reis - Senhor do universo. Você não se relaciona com um rei como se relaciona com um entregador de pizza. Sendo seu rei, você lhe prestará homenagem e respeito, certificando-se de lhe dar toda a honra e louvor. 

Ao interagir e se relacionar com Deus, certifique-se de observar a riqueza de formas de relacionamento que devemos ter com Ele. Um dos principais objetivos das escrituras é revelar-nos como é Deus, para que possamos nos relacionar com ele. O livro de Romanos descreve Deus de uma maneira particular: 

“tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3:26) 

Na passagem que lemos, Paulo eleva bem alto a incrível graça de Deus encontrada em Jesus. Nos capítulos 1, 2 e 3, ele detalhou nossa grande necessidade de um Salvador. Nos deu um relato detalhado de quão longe estamos do padrão de Deus. 

Então, Deus envia Jesus para morrer em uma cruz para anular nossos pecados. 

Antes de Jesus morrer uma morte cruel na cruz pelos nossos pecados, de acordo com o plano de Deus, Deus arriscou (se você quiser pensar assim) ser mal visto – arriscou ter uma má reputação. Como assim? 

Analisando sem conhecer ao Senhor, podemos pensar que, por não punir o pecado quando ele foi cometido, faz parecer que Deus não agia com justiça. Como se Deus não se importasse que coisas más estivessem sendo feitas. 

Durante todo o tempo, Deus continua dizendo a todos nós que ele é justo. Mas se é assim, por que ele tolera todo esse mal? Por que parece que ele faz vista grossa para toda a injustiça no mundo? Os poderosos tiram vantagem dos fracos. Os ricos roubam dos pobres. Vizinho machuca o vizinho e, Deus, você apenas vê tudo isso acontecer. Você ignora todas essas coisas ruins acontecendo? Eu pensei que você era justo, que era 100% justiça. 

Para contrapor a esses questionamentos, Paulo nos ensina em Romanos 3, Deus apresentou Jesus como sacrifício. Deus não ignora os pecados. Ele está prestando atenção. Ele se dirige ao mal pelo que é e trabalha para destruí-lo e puni-lo. 

Veja, olhe para Jesus naquela cruz. Olhe para o sangue que derramou de suas mãos e pés. Veja quanto Deus odeia o mal no mundo e como ele não o tolerará em sua criação. Ele apresentou seu próprio filho como sacrifício expiatório pelos pecados. Ele foi paciente todos esses anos. Ele estava disposto a suportar o mal, ele estava disposto a arriscar ter uma má reputação, esperar o momento perfeito para fazer o que precisava ser feito. Paulo está dizendo: “Deus fez o que fez, 

apresentando Jesus como sacrifício expiatório pelos pecados, quando mostrou que ele é o justo e o justificador de quem tem fé em Jesus”. A bíblia nos revela o quanto foi caro: 

“Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos”. (Isaías 53:5,6) 

“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (2 Coríntios 5:21) 

O que significa para Deus ser justo e justificador? Deus mostrando-se justo significa que ele faz o que é certo com os pecados. Ele julga pecados. Ele pune o mal. Ele trabalha contra o mal e a maldade neste mundo. Basta olhar para a cruz. Veja o castigo que Jesus sofreu. Veja a ira de Deus em exibição contra os pecados do mundo. Uma olhada em Jesus e seu doloroso sacrifício prova que Deus nunca fecha os olhos ao mal. 

Ele é justo. Mas, Ele é mais do que isso. Ele, também, é o justificador de quem crê no sacrifício de Jesus na cruz. O que isso significa? O justificador é quem perdoa. 

O justificador é quem dá misericórdia. O justificador é quem se manifesta a pessoa culpada, quem comete o mal, e diz: “Você merece minha ira e raiva, mas eu vou lhe dar graça e perdão”. 

E eis o que Paulo está dizendo: "porque Deus colocou Jesus à frente para morrer na cruz pelos pecados, ele é os dois, o justo e o justificador, ao mesmo tempo." É importante mantermos essas duas qualidades ou aspectos do caráter de Deus em conjunto. Não queremos ignorar um porque favorecemos o outro. 

Assim, por exemplo, queremos lembrar que Deus é exatamente como nos relacionamos com ele. A Bíblia nos faz entender que isso deve produzir um temor saudável de Deus em nossas vidas. O temor a Deus age como uma motivação adequada para nós. Nunca nos relacionaremos bem com Deus se esquecermos que ele é justo, se não o tememos. Teremos mais chances de evitar ações prejudiciais e egoístas quando tememos a Deus. Temer a Deus nos ajudará a manter nossas prioridades em ordem. Temer a Deus nos ajuda a permanecer 

motivados em nossa busca pela maturidade cristã. Cuidaremos da responsabilidade quando nos lembrarmos e nos relacionarmos com um Deus justo. 

Também precisamos lembrar que Deus é misericordioso, que é ele quem nos justifica ou perdoa por causa de Jesus. Você sabe por que isso é importante? 

Porque se esquecermos que Deus é o justificador daqueles que creem em Jesus, sempre fugiremos dele por medo, e não em direção a Ele quando precisamos de ajuda. Vamos pensar que Ele está bravo conosco quando, na verdade, é compassivo conosco em nossas fraquezas. Deus é misericordioso com seus filhos. 

Deus não está olhando para nos machucar, mesmo que sejamos pecadores; ele está olhando para nos mostrar misericórdia. 

Jesus morreu na cruz para provar e me convencer de que Deus não está zangado comigo; em vez disso, ele me ama. 

Como posso, então, ter um relacionamento amplo, sincero e, realmente, amoroso com Deus? Sei que temer ao meu Senhor e compreender a amplitude de sua misericórdia me faz próximo Ele. Quero ter um relacionamento mais profundo ainda. Um relacionamento que será o alicerce de todos os outros. Na carta aos Gálatas, há uma “dica” sobre o assunto: 

“Estou crucificado com Cristo. Não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim”. (Gálatas 2:19-20) 

O apóstolo está falando da vida de Cristo em nós, depois de termos sido, pela fé, crucificados com Ele. O homem que está crucificado com Jesus Cristo; o mundo foi crucificado para ele, e ele para o mundo. Crucificado, então morto; crucificado, então a velha vida é eliminada. 

“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (2 Coríntios 5:17) 

A partir de agora, deve ser uma nova vida. O homem deve nascer de novo, ou não é um filho de Deus. 

“A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (João 3:3) 

Nascer de novo, ser nova criatura. 

O nascido de novo tem a vida de Cristo, está em sintonia com os ensinamentos de Cristo, através do poder do Espírito Santo. O que nasceu de novo, recebe uma nova vida, com uma nova forma de entendimento. 

João Batista nos alerta sobre como ter um novo entendimento: 

“Convém que Ele cresça e que eu diminua” (João 3:30) 

O ensino de Deus é que Cristo cresça e que o nosso “eu” diminua. Formar Cristo em nós. Esse é o propósito de Deus. No livro de Mateus, há o relato do Pai se manifestando em relação ao Seu Filho da seguinte forma: 

“E eis uma voz do céu, que dizia: Este é o meu Filho amado, em que me comprazo”. (Mateus 3:17) 

Ele quer nos dizer: “Vejam, este é Aquele que satisfaz o Meu coração”. 

Só que, para que Cristo seja formado em nós, precisamos conhecê-lo. Então, devemos confessar que ainda O conhecemos tão pouco e precisamos entrar em uma relação de intimidade com a Sua Pessoa. Quem Ele é, como é o Seu caráter, Sua fala, Sua mente? 

Deus deseja o que tem de mais precioso para nós, que é formar a vida do Seu Filho em cada um de nós. Para que essa vida cresça, precisamos das Escrituras, precisamos estudá-las, meditar nelas, memorizá-las. Se formos às Escrituras, o Senhor Jesus aparecerá, Ele vai se revelar. A vida que está dentro de nós se manifesta por meio da Palavra de Deus. Palavra é o meio que o Espírito Santo tem para revelar a Cristo. 

Se quisermos conhecer o Senhor, se quisermos nos aprofundar no conhecimento da Sua Pessoa, se quisermos cooperar com a obra do Espírito Santo para que Cristo seja formado em nós, a Palavra de Deus deve habitar em nós. Conhecer a Sua Pessoa, conhecer quem Ele é, conhecer Sua voz, seu comportamento, a maneira com que Ele Se relaciona com os outros, as atitudes que Ele tem diante das situações. 

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” (Mateus 11: 28-30) 

Venha a mim. Aprenda de mim. Eu vos aliviarei. 

Aprender e viver a vontade do Senhor Jesus. Formar Cristo em nós é o que alegra o coração do Pai. Assim, temos a forma correta de nos relacionarmos com esse Deus bondoso, misericordioso e gracioso que está esperando por você. 

Assim como o náufrago, quem não entregou sua vida ao Senhor Jesus está perdido. Isolado mesmo estando entre muitas pessoas. Deus é o único relacionamento profundo, sincero e verdadeiro que realmente teremos em nossa vida. Ele está sempre presente mesmo nos nossos piores momentos. A morte de Cristo na cruz nos mostra o quanto Deus nos ama. 

“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16) 

Sua morte e ressurreição tornaram possível que sejamos perdoados e que tenhamos um relacionamento correto com Deus. Esse relacionamento correto será nossa base de alegria e paz em todos os outros relacionamentos.


Luis André Rocha (discípulo de Jesus)


* O que você leu é um capítulo do livro RELACIONAMENTOS que poderá ser encontrado na Amazon: https://amz.onl/2ZFXsnm

Relacionamentos: FAMÍLIA

 

FAMÍLIA (capítulo do livro Relacionamentos).

“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem. Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta.” (Salmos 127) 

As famílias não são complicadas? Quero dizer, nossas famílias são as pessoas que num momento estamos rindo juntos e em outro brigando como se estivéssemos em uma guerra. Estou certo? Muitas vezes fazemos de tudo para realizar uma reunião de família, mas quando chegamos lá, nos perguntamos: "o que estou fazendo aqui?" E quando termina, no caminho para casa, pensamos: "Mal posso esperar pelo próximo encontro". 

Por essas e outras, a família pode ser e é, para muitos de nós, uma grande fonte de orgulho e alegria – apesar das rusgas eventuais. Dizer que a gente adora passar muito tempo com nossa família chega a ser um eufemismo. Regularmente, você preenche sua página do Facebook com fotos e vídeos de seus filhos jogando bola ou nadando. Não é assim? E todos nós entendemos isso, eu acho. 

Deus quer que nossa família seja uma bênção para nós. Mas temos uma maneira de transformar presentes em ícones. E um dos nossos ídolos favoritos é a família. 

Um ídolo é qualquer coisa, até coisas boas, como família, que transformamos em algo superior. Existe um tipo de devoção à família que é inapropriada e perigosa para nossas almas (até para nossa família). Existe um tipo de adoração, que se deve dar apenas ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que podemos estar tão facilmente e rapidamente dando a nossa família. 

Quando dizemos, com regularidade, “não” ao dar, não ao servir, não ao culto corporativo, não ao sacrifício pelo reino de Deus porque isso interrompe nosso tempo e atividades com a família, algo está desequilibrado. Algo está confuso com nossas afeições. Há um perigoso desequilíbrio. Falaremos mais sobre o equilíbrio que precisamos encontrar mais tarde (e é realmente difícil encontrar esse equilíbrio), mas não podemos ser cegos à tentação de nos curvarmos no altar da família. O Senhor Jesus nos alertou sobre idolatrar a família: 

“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim” (Mateus 10:37) 

Há, também, no extremo oposto o renegar a família. Agora, se você não entende por que os membros da família se separaram, não está pensando o suficiente ou foi protegido pelo lado feio da manipulação familiar. Muitas vezes, os membros da família conhecem detalhes bastante íntimos sobre nossas vidas. Eles conhecem nossas fraquezas, falhas e inseguranças. E isso torna a família incrivelmente perigosa. Então, se eles quiserem, nossos familiares, podem realmente nos machucar gravemente. E, infelizmente, alguns fazem. Alguns de vocês foram vítimas de tratamento severo por membros da família. E, às vezes, é necessário afastar-se das relações familiares porque são muito tóxicas e prejudiciais. 

Portanto, não pense que, criar limites com sua família sempre será algo ruim a se fazer. As vezes deve ser feito. Mesmo precisando criar limites no relacionamento familiar, não devemos nos tornar amargos. Não devemos deixar de nos importar com eles. Isso nos deixa distante do propósito de Deus para nossas vidas. 

Nossos familiares em alguns momentos são uma alegria e em outros uma dor de cabeça. Independente de uma ou outra, as escrituras nos mostram que temos responsabilidades para com eles. 

“Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente.” (1 Timóteo 5: 1-8) 

Devemos demonstrar amor, cuidado e responsabilidade em nossa casa, conforme Cristo tem por nós. Você não pode ser um seguidor de Jesus em público sem primeiro ser um seguidor de Jesus em casa. Quero dizer, você pode, mas isso é uma revelação de hipocrisia. 

Deus quer que primeiro pratiquemos nossa fé no contexto de nossas famílias antes de fazê-lo em outros relacionamentos ou esferas de nossa vida. Você, por exemplo, tem paciência para com seus colegas de trabalho e não para os seus filhos? Você fala palavras gentis e atenciosas com as pessoas da igreja, mas em casa critica constantemente seu cônjuge? Se você fizer isso, está distante dos princípios ensinados na Palavra de Deus. Veja o que fala na bíblia, por exemplo, do relacionamento conjugal: 

“Não obstante, vós, cada um de per si também ame a própria esposa como a si mesmo, e a esposa respeite ao marido.” (Efésios 5:33) 

Em primeiro lugar, os de nossa casa devem ver Cristo em nós. O amor que Ele tem por todos aqueles que são seus. Como você demonstra esse amor? Mostrar amor, por exemplo, é manter o autocontrole quando as crianças estão ficando muito agitadas. Entender as fraquezas do seu cônjuge sendo colaborativo e edificador para ele. Honrar aos seus pais e sogros. Ser o primeiro a dizer: "Sinto muito pelo que disse" depois de uma discórdia em família. Oferecer perdão, com alegria e respeito, ainda que tenha sido afrontado. Essas são atitudes que demonstram amor. O Senhor Jesus nos ensinou: 

“Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.” (Marcos 12: 30-31) 

Cumprir esses mandamentos é ter uma vida familiar equilibrada. É ter a ordem correta para nossos relacionamentos familiares. Primeiro Deus e depois nossa família. Amar ao familiar como a nós mesmo, é agir com empatia e sabedoria. 

Um lar cristão é aquele que pratica os ensinamentos de Cristo. Um lar que fala sobre Jesus, a bíblia, as coisas de Deus. Mas, nunca praticar o que fala é muito perigoso para todos os familiares, especialmente as crianças. Estaremos confundindo às crianças com mensagens erradas sobre Deus e fé. É ensinar as crianças que a fé cristã não tem nada a ver com a maneira como você vive. É uma postura, um comportamento religioso. Não demonstra a graça de Deus em seus atos. Vive, por exemplo, de aparências ao participar do culto domingo, escutar louvores enquanto lavo a louça, colocar adesivo com dizeres cristãos no carro, etc. 

Cristo não foi convidado a participar. É fazer com que as pessoas da casa pensem que não há sacrifícios que valham a pena fazer pelo reino de Deus. Não é grave? 

O que quero dizer com uma vida cristã “falsa”? Dizemos que Cristo é importante, mas não demonstramos que Cristo vive em nós. Cristo só estará em nossa família se formos obedientes ao que Ele nos ensina. Quem permite que Jesus entre em sua casa deve ouvir os seus conselhos e colocá-los em prática. Há um relato na bíblia sobre a reação de Zaqueu após ter permitido que o Senhor entrasse no seu lar e anunciasse a Sua Palavra: 

“Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais. Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão.” (Lucas 19: 8-9) 

Ele passou a ser um discípulo do Senhor. Também, ouviu do próprio Salvador a seguinte afirmação: “Hoje veio salvação a esta casa”. Que benção para ele e os membros de sua casa. Ora, se estamos em Cristo, devemos trabalhar e agir dentro do que o Senhor nos confere, certos de que o sucesso, virá não por causa de nossos esforços, mas por causa da benção do Senhor. A família foi criada e existe para cooperar com o propósito eterno de Deus de ter uma família de muitos filhos semelhantes a Jesus Cristo. 

“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” (Romanos 8:9) 

Vivendo em família aprendemos a perdoar, suportar, confessar, negar a nós mesmos, exercer autoridade em amor, corrigir com bondade, sacrificar-nos pelos outros, orar, confiar em Deus, administrar, compartilhar. Nossas famílias são o primeiro lugar em que praticamos nossa fé cristã. Somos mutuamente responsáveis pela vida de cada um. Vamos ver juntos algumas passagens que falam sobre responsabilidades familiares: 

“Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.” (Deuteronômio 6:5-7) 

Aqui, nos ensina que os pais têm a responsabilidade de guiar seus filhos nos caminhos do Senhor. Mães e pais devem nutrir espiritualmente seus filhos, modelando como é seguir a Jesus e também ensiná-los a palavra de Deus. 

“Escutai, povo meu, a minha lei; prestai ouvidos às palavras da minha boca. Abrirei os lábios em parábolas e publicarei enigmas dos tempos antigos. O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor, e o seu poder, e as maravilhas que fez.” (Salmos 78:1-4) 

É nossa responsabilidade contar a nossos filhos as coisas que Deus fez. Devemos transmitir as histórias das obras de Deus para que elas também depositem sua esperança em Deus e cumpram seus mandamentos. 

Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra” (Efésios 5:25,26) 

Os maridos têm esse dever de incentivar e edificar suas esposas em Cristo. A palavra de Deus deve ser a principal ferramenta do homem para fazê-lo. Deus responsabilizará um homem pelo cuidado espiritual que ele oferece a sua esposa. 

Ele é o sacerdote do lar. 

“Mas, se alguma viúva tem filhos ou netos, que estes aprendam primeiro a exercer piedade para com a própria casa e a recompensar a seus progenitores; pois isto é aceitável diante de Deus.” (1 Timóteo 5:4) 

Mostra que temos a responsabilidade de fornecer comida e abrigo para a família de modo que suas necessidades diárias sejam atendidas. No caso das viúvas, isso fica muito mais evidente. Não podemos nos refutar de nossos encargos financeiros quando os nossos familiares estão em dificuldade. Isso agrada ao Senhor. 

“Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.” (Efésios 6:1-3) 

Você é responsável por mostrar honra aos seus pais. Você não é responsável pelas necessidades de seus pais; eles são responsáveis por suas necessidades. Mas, em troca, Deus diz para você deve honrar e respeitar seus pais. E, possivelmente, um dia, você precisará cuidar deles quando estiverem velhos e poderá retribuir o que eles fizeram por você. 

Se Deus está nos mostrando em sua palavra que a família é uma responsabilidade, você deve se relacionar com os membros de sua família como um servo: alguém que está pronto e disposto a atender às necessidades de sua família. Jesus se tornou servo para nos salvar. Ele é muito superior a nós, mas ele decidiu nos servir, por amor a seu Pai. Da mesma forma, nós também devemos servir uns aos outros em nossa família. 

“Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Pois, no meio de vós, eu sou como quem serve.” (Lucas 22:27) 

Permitam-me mencionar brevemente duas maneiras pelas quais isso afeta as relações familiares. Antes de tudo, ver-se principalmente como um servo de sua família para cumprir sua responsabilidade dada por Deus que ajudará a proteger seu coração de idolatrar eles. Quando idolatramos nossas famílias, paramos de pensar em como podemos servi-los e começamos a esperar que eles nos sirvam. E é realmente sorrateiro; podemos desenvolver essas expectativas e nem perceber. 

Como mencionei, muitas vezes nossas famílias são uma alegria. E louve a Deus por isso. Nós evitamos idolatrar nossas famílias quando nos lembramos que devemos ser seus servos cumprindo as responsabilidades que Deus nos deu. 

O fato de lembrar de nossa responsabilidade para com nossas famílias, nos ajudará a permanecer focados no propósito de Deus por toda a vida. Uma coisa que noto é que servir minha família muda com o tempo. À medida que nossos pais ou sogros ficam mais velhos, nossa responsabilidade em relação a eles muda. Isso também acontece com nosso filho. Nossa responsabilidade em quando ele era bebê e criança pequena é diferente de quando se tornou adolescentes e, posteriormente, adulto. E, algum dia – se Deus quiser – ele estará fora de nossa casa formando sua própria família. Daí, nossa responsabilidade para com ele será muito diferente novamente. E quanto mais velho fica, menos precisa da nossa ajuda (ou precisa de um tipo diferente de ajuda). E eis o que não quero que aconteça: não quero me perder. Não quero me sentir inútil, porque me recuso a mudar a maneira como o sirvo. Quero ter certeza de que meus olhos estão voltados para o chamado de Deus em minha vida, para que, quando meu filho não precise mais de tanta ajuda, ainda esteja empolgado e pronto para servir o reino de Deus de outras maneiras. 

Eu quero servir mais dentro da minha igreja local. Quero causar um impacto maior no meu bairro e na minha comunidade. Meu ministério precisa mudar de meu filho para outros que Deus colocou ao meu redor. Minha esposa e eu queremos estar mais disponíveis para ser usados pelo Senhor. 

Obviamente, a família é um ministério importante; é o nosso mais importante. E, às vezes, requer foco e atenção muito especial. Mas, não é nosso único chamado; e família não é nossa maior recompensa. Nossa maior recompensa é o próprio Deus. 

Não sacrifique um pelo outro. Tudo o que fizemos ou faremos deve ser consagrado ao Senhor. 

“Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo” (Colossenses 3:23,24)


Luis André Rocha (discípulos de Jesus)


* O que você leu é um capítulo do livro RELACIONAMENTOS que poderá ser encontrado na Amazon: https://amz.onl/2ZFXsnm