É assim que Deus ama

 

No livro de Hebreus aprendemos no capítulo onze a ter uma vida de fé. No doze a esperança e no capítulo treze sobre o amor.

A Palavra está nos ensinando que a vida cristã é composta de fé, esperança e amor.

No início do capítulo treze há algumas exortações práticas para viver uma vida cristã consciente e em sintonia com o amor de Deus.

“Seja constante o amor fraternal. Não negligencieis a hospitalidade, pois alguns, praticando-a, sem o saber acolheram anjos. Lembrai-vos dos encarcerados, como se presos com eles; dos que sofrem maus-tratos, como se, com efeito, vós mesmos em pessoa fôsseis os maltratados. ” (Hebreus 13:1-3)

Não devemos amar como se fôssemos irmãos, mas porque somos irmãos.

Devemos sentir essa relação familiar e agir de acordo com ela ao invés de ser condicionado por simpatia dessa ou daquela pessoa.

O amor cristão é entendido em termos de ações concretas como hospitalidade e assistência aos necessitados. Leitores de Hebreus estavam, provavelmente, distorcendo essa compreensão e prática.

Na igreja do primeiro século, esta era um ministério importante. Muitos caminhavam de uma cidade para outra, no ministério de ensino.  Visitas oficiais e informais, características das igrejas do primeiro século, foram um fator importante na unificação das igrejas e no fornecimento de uma consciência de estar ligado um ao outro. Por fim, as perseguições sempre aumentaram a necessidade de hospitalidade, porque alguns perderam suas casas e tiveram que fugir para não serem mortos.

O Cristianismo era, ou deveria ser, uma religião de portas abertas, portas abertas para nossa casa, nossos recursos, nosso coração. Como no passado, hoje, nosso lar deve ser aberto a nossos irmãos para promover a comunhão Cristã.

Quando duas ou mais pessoas fazem coisas juntas, em harmonia, estão em comunhão. A vontade de Deus é que vivamos em comunhão com Ele e uns com os outros. Juntos, podemos crescer em amor, fé e esperança. A hospitalidade gera comunhão.

“Sede, mutuamente, hospitaleiros, sem murmuração. Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. ” (1 Pedro 4:9,10)

Além disso, alguns dos irmãos cristãos do primeiro século não puderam receber hospitalidade, porque estavam presos pelo seu testemunho. O autor exorta a estender o amor fraternal a eles também. As prisões romanas eram lugares insalubres, e o que eles forneciam para comida e outras necessidades não era suficiente.

Portanto, a ajuda recebida de familiares ou amigos foi essencial para sustentar a vida do prisioneiro. Alguns membros da comunidade de "hebreus" recusaram-se a dar essa ajuda por medo de se identificarem como cristãos em um tempo de perseguição.

O autor aplica a "regra de ouro" para encorajá-los a essa prática, embora difícil, expressão de amor. A unidade entre os irmãos em Cristo é tal que a dor de um se faz sentir em todos.

Enquanto ainda estamos no corpo, a igreja, estamos sujeitos aos mesmos sofrimentos, e devemos ajudar como gostaríamos de ser ajudados se os papéis fossem invertidos.

Sabemos que muitos irmãos estão sendo presos pelo mundo por sua fé em Cristo e que isso ainda não acontece no Brasil.

Diferente de ser preso pela fé, no Brasil, há milhares de presos com os mais variados tipos de crimes e delitos, muito deles, revoltantes: latrocínios, estupros, assaltos, sequestros, os quais, através da polícia e, a seguir, pela Justiça criminal, são excluídos do convívio social e segregados em cadeias, presídios, penitenciárias.

Então, qual a relação à missão do discípulo de Jesus e a situação dos presos em nossas cadeias? O preso, exatamente por estar fisicamente privado da liberdade, por estar na “escuridão do cárcere”, terá muito mais sensibilidade para descobrir em Jesus aquele que liberta plenamente, do pecado e também da cadeia. Aquele cuja missão é “proclamar a libertação aos cativos, a liberdade aos que estão presos”, da mesma forma como Ele é enviado para “dar a boa notícia aos pobres e curar os corações feridos”... Ora, de que maneira vai concretizar-se esta profecia se não através dos seus discípulos, da sua Igreja, dos que na história devem levar adiante essa mesma missão?

“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor. (Lucas 4:18,19)

Em nossa situação atual, as expressões de amor fraterno nem sempre serão as mesmas que no primeiro século, mas a exortação para hoje ainda é válida.

Hoje em dia várias igrejas têm ministérios em prisões, embora geralmente o objetivo seja evangelizar o não convertido, visto que não é tão comum hoje um irmão ser preso por sua fé.

Também, existem oportunidades para a igreja oferecer hospitalidade às pessoas que a visitam como parte de seu ministério.

Precisamos buscar do Espírito as aplicações modernas do amor fraternal.

Pode ser algo tão simples como levar uma refeição para uma família que sofre de doença ou perdeu um ente querido. Pode incluir fornecer comida ou roupas para irmãos necessitados. Pode ser um esforço de toda a igreja, como uma bolsa trabalho, ou programas especializados para alcoólatras e suas famílias, viciados em drogas, mulheres abandonadas, presidiários, alunos que precisam de ajuda personalizada com seus estudos ou para outras pessoas necessitadas.

O senhor Jesus nos deixou um mandamento que confirma todas essas ações práticas:

“Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros. ” (João 13:34,35)

O amor cristão não é mera emoção ou sentimento, mas um compromisso que se expressa em ações concretas para atender às necessidades das outras pessoas.

É assim que Deus ama.

Luis André Rocha

Discípulo de Jesus